Em "A Confissão da Leoa" a aldeia moçambicana de Kulumani fica vulnerável ao ataque de leões e a administração política precisa de resolver tal problema. Arcanjo Baleiro, o "último caçador", é seleccionado para a caçada e regressa juntamente com um escritor, Gustavo, que pretende relatar o caso. Enquanto o leitor acompanha o diário do caçador, tem também acesso aos escritos de Mariamar, a irmã da última vítima dos leões, que se apaixonou por Arcanjo anos atrás, mas que sonha abandonar a aldeia.
Este romance é baseado num caso real de ataques de leões que o escritor acompanhou, mas como se pode esperar, é uma história onde o mito e a superstição andam de mãos dadas com assuntos prementes, desde a política e a caça, até à condição da mulher. E simplesmente, adorei-o.
É um livro para ler devagar, para saborear o estilo de escrita do autor que se "apropria" das palavras e lhes dá novos usos. É fantástico como Mia Couto consegue pegar nelas e dispo-las exactamente como quer para nos transmitir exactamente o que pensa. Fiquei fã.
A história em si mantém o toque de realismo mágico esperado, mas como dizia antes, aborda temas prementes, principalmente sobre a condição feminina, já que na aldeia Arcanjo e Gustavo depressa são levados a perceber que deveriam caçar mais do que os animais. Além disso, a mulher e a maternidade estão aqui destacadas, e Mia Couto não nos deixa esquecer a forma como em Kulumani - e em tantas outras zonas, tantos outros países... - a mulher é relegada para um plano inferior ao do pai/marido. Torna-se uma criatura que não tem voz, que não se atreve sequer a sonhar, que no fundo, como nos aponta Mariamar, não "vive".
No final, fiquei com a ideia de que para se caçar o leão/monstro é preciso ser-se pior do que ele, e a verdade é que nenhum animal selvagem iguala a maldade do homem. E mais não digo.
Ler a "A Confissão da Leoa" foi uma experiência de leitura excelente, e recomendo-a, sem dúvida.
E vocês, já leram o livro? Qual foi a vossa opinião?
Boas leituras!
Este romance é baseado num caso real de ataques de leões que o escritor acompanhou, mas como se pode esperar, é uma história onde o mito e a superstição andam de mãos dadas com assuntos prementes, desde a política e a caça, até à condição da mulher. E simplesmente, adorei-o.
É um livro para ler devagar, para saborear o estilo de escrita do autor que se "apropria" das palavras e lhes dá novos usos. É fantástico como Mia Couto consegue pegar nelas e dispo-las exactamente como quer para nos transmitir exactamente o que pensa. Fiquei fã.
A história em si mantém o toque de realismo mágico esperado, mas como dizia antes, aborda temas prementes, principalmente sobre a condição feminina, já que na aldeia Arcanjo e Gustavo depressa são levados a perceber que deveriam caçar mais do que os animais. Além disso, a mulher e a maternidade estão aqui destacadas, e Mia Couto não nos deixa esquecer a forma como em Kulumani - e em tantas outras zonas, tantos outros países... - a mulher é relegada para um plano inferior ao do pai/marido. Torna-se uma criatura que não tem voz, que não se atreve sequer a sonhar, que no fundo, como nos aponta Mariamar, não "vive".
No final, fiquei com a ideia de que para se caçar o leão/monstro é preciso ser-se pior do que ele, e a verdade é que nenhum animal selvagem iguala a maldade do homem. E mais não digo.
Ler a "A Confissão da Leoa" foi uma experiência de leitura excelente, e recomendo-a, sem dúvida.
| Sinopse |
E vocês, já leram o livro? Qual foi a vossa opinião?
Boas leituras!
| Um adágio que chamou a minha atenção... |