quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

É impressão minha, ou está prestes a chegar uma nova moda literária?

"Modas literárias". Qualquer leitor tem uma relação de amor e ódio com as tendências que as estantes das livrarias nos oferecem. Se por um lado nos dão acesso ao mesmo elemento "ad nauseam", por outro retiram da obscuridade autores que, de outra maneira, ou não seriam publicado cá, ou não repararíamos neles - tão depressa.

Na minha década e tal como leitora já reparei nestas tendências:

- Os Feiticeiros:

Era a época dos chapéus em bico e varinhas em punho como acessório. A culpa foi do nosso querido "Harry Potter", de J. K. Rowling, que deu acesso a uma quantidade de livros para adolescentes - na época, nos inícios do milénio, eram ainda "livros juvenis" - sobre bruxos e bruxinhas. Cheguei a comprar uma trilogia de Philipp Pulman porque a comparavam com "Harry Potter", naquelas faixas promocionais dos livros. E por cá, até tivemos direito à "Teodora", de Luísa Fortes da Cunha, que apesar de ser uma fada, à primeira vista parecia ter algumas semelhanças com o nosso feiticeiro preferido. 
Pelo menos, na época senti que se tornava mais fácil encontrar livros de fantasia.

-  Os Códigos:

"O Código Da Vinci", de Dan Brown foi uma maluqueira! Comprei-o, sem saber muito bem ao que ia, e comecei a lê-lo numas férias. Se vocês soubessem como fiquei surpreendida num café ao perceber que as pessoas da mesa do lado estavam a comentar "o" livro que eu andava a ler! Nesse dia pensei que tivesse sido uma coincidência enorme, mas passadas umas semanas percebi que o caos estava lançado.
Era livros com teorias sobre Madalena; sobre os Templários; sobre a maçonaria, etc., por todo o lado! 
Atrevo-me a comentar que deu um certo fôlego à procura do thriller histórico...

- Os Vampiros:

Um dia chegou o "Crepúsculo", de Stephenie Meyer, e as estantes ficaram infestadas de vampiros. Até se publicaram livros bem anteriores ao "Edward", como o "Sangue Fresco", de Charlaine Harris. O que mais dizer? A moda dos dentes afiados foi forte, e quem já se exasperava com ela nunca imaginou que tal ia originar a próxima tendência.

- Os Eróticos:

Reza a lenda que "As Cinquenta Sombras de Grey", de E. L. James, foi uma fanfiction sobre o casalinho do "Twilight". Devíamos criar daqui uma qualquer teoria da conspiração.
Sobre a tendência - que para mim não foi muito apelativa, tenho a confessar - não tenho mais a acrescentar, para além de também tornou este género de livro mais acessível.

- As Distopias Y.A.

Não tenho a certeza se as distopias ainda estão em voga ou se na próxima estação é que vão cessar. De qualquer forma, as premissas destes livros devem estar estudos bem interessantes. Porque, de repente, estamos tão interessados em histórias sobre rebeliões contra os sistemas políticos? Hum...
Por acaso, ainda só li o primeiro livro da trilogia "Os Jogos da Fome", de Suzanne Collins e não me convenceu muito. Infelizmente vi o filme antes e achei que me proporcionou mais adrenalina do que a leitura, pelo que não tenho lido nada deste género. Tenho visto os filmes baseados neles.

Ainda pensei que os elfos, os anjos, os demónios e os lobisomens por si só também ganhassem destaque, mas não conseguiram um alcance tão grande.

O que me leva a perguntar, qual será a nova moda literária?

Digam-me quais são as vossas teorias, e se se lembram de mais tendências não hesitem em comentar.

Boas leituras!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O Voyage chegou ao Facebook!

O Voyage chegou ao Facebook! 
Vocês não sabem: estive reticente em levar o blog aos caminhos da social media, mas acabei por preferir fazê-lo. Acontece que eu própria me afastei da rede social, só que preferi regressar e levar o Voyage comigo. É uma forma de o promover mais facilmente e de me manter mais atenta ao que permeia este nosso estranho mundo que é a Web.

 Já sabem, "like us".




Boas leituras!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

"Don’t be tempted to look back/ It has all happen before"






Há uns meses dei por mim a ver o "I Origins" e a sentir-me marcada. Existem filmes que, sem sabermos bem porquê, nos atraem e se mantêm connosco, tal como os livros.  Tinha um enredo bem diferente do comum, um romance lindo, e apresentava uma teoria que me pareceu muito original sobre os nossos olhos. E tinha também esta música por lá.

E a vocês, que filme vos surpreendeu tanto que o recomendariam a toda  a gente?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

"O Mapa do Tempo", Felix J. Palma

Sabem quando adoram um livro, mas temem que o resto do mundo o deteste? E quando têm imenso medo de escrever uma opinião sem revelar demasiado?
É que "O Mapa do Tempo" foi uma leitura deliciosa para mim, e o seu conteúdo merece ser lido e descoberto por cada leitor.
O livro faz parte de uma trilogia, a "Trilogía Victoriana", que homenageia H. G. Wells, o escritor considerado para muitos como o pai da ficção científica - a par, ou rivalizando, com Jules Vernes.  Neste primeiro volume, o tema das viagens do tempo é abordado, após a publicação do "A Máquina do Tempo" de H. G. Wells, e da abertura de uma prometedora empresa em Londres, a "Viagens Temporrais Murray", que fornece aos clientes uma expedição ao ano 2000, ao dia em que o bravo Shackleton derrota Salomon, o rei dos autómatos que aniquilaram parte da raça humana.
Está dividido em três partes, e a principio, parece que temos em mãos três histórias diferentes, ligadas apenas por algumas personagens, mas na verdade, o grande protagonista é o próprio H.G. Wells. Assim, conhecemos Andrew, cuja namorada foi assassinada por Jack, o Estripador, e que é convencido a viajar até ao passado; Claire, que farta de viver num século em que não se espera que seja mais do que uma esposa cai de amores por Shackleton; e, por fim, o próprio Wells vê-se em risco de ver a autoria do romance roubada por um viajante do tempo.
Devia considerar outra grande personagem o narrador omnisciente. Narra a história como os folhetins de aventuras de antigamente e chega a dirigir-se ao próprio leitor. Adorei o estilo de escrita, que muito me divertiu. Palma consegue atrair a nossa atenção.
Sobre o enredo, eu percebo se alguém se sentir desiludido com o livro, mas no fundo, é uma homenagem aos "romances científicos" e de aventura do séc. XIX, e vamos dar por nós a pensar também em viagens temporais. Será que é possível mudar o passado? Ver o futuro? E se algo mudar, o que acontece? Formam-se mundos paralelos? Será que temos outras versões de nós noutros mundos que tomaram outras escolhas?
O meu conselho é que partam para a leitura de "O Mapa do Tempo" de espírito sonhador e prontos para reviravoltas.

Boas leituras!

Sinopse

Já leram este livro? Qual é a vossa opinião?




 








domingo, 3 de janeiro de 2016

Em 2016 há mais Viagens à Lareira!

Começou um novo ano, e com ele, mais desafios. A nível da leitura aqui o Voyage e o Delícias à Lareira uniram-se na criação de mais desafios de leitura Viagens à Lareira. O objectivo, como sabem, passa pela leitura de géneros e autores novos, e pela tentativa da diminuição das pilhas de livros que ainda temos por ler na estante - que, como sabem, é algo que tende a crescer mal viramos costas rumo à "livraria" mais próxima.

Para 2016, são estas as nossas "Viagens à Lareira":

Desafio Inverso

Cada mês compreende duas categorias pelo que podemos escolher um livro que se enquadre apenas numa, ou em ambas. O género e o autor é livre.

Janeiro: um livro do autor preferido / um livro de um autor que desconheces

Fevereiro: um livro passado no futuro / um romance histórico

Março: um livro sobre um ou mais crimes (romance policial/thriller/história verídica, etc.) / um livro sobre um romance “fofinho”

Abril: um livro com a acção localizada na nossa época / um livro com elementos de fantasia

Maio: um livro impingido (emprestado por um amigo; impingido pelo bibliotecário, etc.) / um livro que está na estante há mais de um ano

Junho: um livro de um autor português / um livro de um autor estrangeiro

Julho: um livro passado num país que queres visitar / um livro passado num país que dispensas conhecer

Agosto: um livro para descontrair / um livro para te deixar o coração apertado (história verídica; thriller; terror; drama, etc.

Setembro: um livro sobre algo ou alguém que admiras / um livro sobre algo ou alguém que odeias (verídicos ou fictícios)

Outubro: um livro que te dá medo de ler (terror; número de páginas; clássico, etc.) / um livro que queres muito ler

Novembro: um livro com uma capa que adoras / um livro com uma capa que odeias

Dezembro: um livro escrito há mais de 100 anos / um livro escrito há menos de 100 anos




Desafio Clássicos 

Há muito que queríamos apostar na leitura de clássicos, o que nos levou a criar este desafio, tendo em conta livros que já temos ou que facilmente adquirimos. A leitura de cada um será bi-mensal, e para já propomos a leitura conjunta de:

- "Anna Karenina", Lev Tolstoi;
- "Orgulho e Preconceito", Jane Austen
- "Jane Eyre", Charlotte Bronte;
- "1984", George Orwell,
- "Admirável Mundo Novo", Aldous Huxley
- "A Metamorfose", Franz Kafka

Se os conseguirmos ler rapidamente tornamos a leitura mensal e acrescentamos à lista:

- "O Monte dos Vendavais", Emily Bronte;
- "Madame Bovary", Gustave Flaubert;
- "O Primo Basílio", Eça de Queirós;
- "Amor de Perdição", Camilo Castelo Branco

Se quiserem juntar-se a nós, mas já tiverem lido algum dos propostos podem ler um clássico à vossa escolha.

Espero que gostem das nossas propostas para 2016. Caso estejam interessados em participar podem inscrever-se aqui, no nosso grupo no Goodreads.

Boas viagens à lareira!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

As escolhas do ano

Este ano que estás prestes a terminar foi bastante bom em termos de leituras.
Ao criar com a Spi do Delícias à Lareira o desafio "Viagens à Lareira" fiquei com algum receio de me sentir obrigada a ler para completar as categorias, mas participar revelou-se uma forma óptima de seleccionar as leituras futuras. Possibilitou-me também variar de géneros e abater parte da pilha dos livros por ler na estante.
Atrevi-me a ler autores ainda desconhecidos, como Yasmina Khadra e Stephen King, e não me arrependi. Lancei-me, até, a géneros literários diferentes. Com "Dune", de Frank Herbert, experimentei ficção científica e "Eu Sou a Lenda", de Richard Matheson possibilitou-me uma boa entrada em algo menos fantástico e mais horror. Voltei a interessar-me por policial e thriller desde "O Hipnotista", de Lars Kepler, que me lançou para o page turner de 2015, "Em Parte Incerta", de Gillian Flynn.
A nível da fantasia tenho que destacar os dois livros de Neil Gaiman, "O Oceano no Fim do Caminho", e de "The Spindler and The Sleeper", que muito apreciei. "A Máquina de Escrever Encantada", de John Kendrick Bangs também fez um bom trabalho. Foi uma leitura um pouco obscura, mas muito interessante. Consegui também ler os segundos volumes de trilogias de fantasia, "O Mago - Mestre", de Raymond E. Feist, e "Luz e Sombras", de Anne Bishop, e fiquei com vontade de apostar mais neste género para o próximo ano.
Estranhamente, não li tantos romances históricos como é costume, mas "As Filhas do Graal", nesse ponto fizeram um bom papel, destronando "Madre Paula", de Patricia Muller. Tive pena de mais uma vez Michelle Lovric não me convencer. Acho que li "O Remédio" para não voltar a adquirir livros da autora tão depressa.
Por outro lado, reencontrei-me com Gabriel García Márquez e Marion Zimmer Bradley com gosto. Preferi doze vezes os contos de "Doze Contos Peregrinos" ao "A Herdeira", mas gostei de reler algo dos escritores.
Para além de bons livros também lidei com desilusões e a típica categoria do "podia ser melhor". "Em Nome da Memória", de Anne Brashares está no final desta classificação, acompanhado por "Firmin", de Sam Savage, uma ratazana apaixonada por literatura e actrizes giras (e humanas) que não me convenceu como esperava. De qualquer forma, o Prémio Desilusão seguiria para "A Desumanização", de Valter Hugo Mãe, ou para "O Sétimo Véu", de Rosa Lobato de Faria. 

Voltemos a focar-nos no que de melhor 2015 me ofereceu em termos de leituras, com a selecção dos livros que mais se destacaram:


O melhor de um autor que apenas conheci este ano


"O" page turner de 2015.
O melhor de um autor preferido


Melhores personagens
Estilo de escrita que se destacou
O melhor "worldbuilding"  







A "menção honrosa" de 2015 

E o vosso ano, como foi? Boas leituras!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

"O Sétimo Véu", Rosa Lobato de Faria



Costumo apontar Rosa Lobato de Faria como uma das minhas autoras preferidas, pelo que as expectativas sobre a leitura deste livro estavam bem altas. Como é óbvio, e acho que já estão a adivinhar o que aconteceu, fiquei desiludida.
"O Sétimo Véu" aborda um segredo de família, um segredo que esteve na posse de Mila, a governanta da família que se tornou uma familiar. Como tal acompanhamos Joana, a protagonista, que se sente sempre culpada sem perceber porquê, e a história da família que morou na Casa das Lias até à descoberta da verdade.
Se por um lado me mantive interessada no enredo, por outro lado estava à espera de melhor. Adoro o estilo de escrita da autora, o que me levou a ler com gosto, e dos toques de realismo mágico, como a capacidade de uma das personagens ver o fantasma da avó Júlia. Além disso, gostei dos pormenores de época sobre o início do século XX, como a condição de Mila, que cresceu numa casa nobre mas sem forma de se sustentar - quantas vezes essa pobreza envergonhada não acontece à nossa volta?
No fundo, o livro é sobre o lar e a família, o que realmente significam estas palavras, e não podia deixar de concordar. Nem sempre é "o sangue" que realmente nos une como familiares, certo? Nem sempre a casa onde "moramos" é "o lar".
Apenas pedia mais originalidade ao enredo. Porque é que têm de manter criados numa casa? Porque é que uma personagem ter de ser médica e a outra ser um escultor muito famoso? Não deixei de ter a sensação de que se podia transcrever o livro para a novela do serão, e não tenho propriamente gosto por tal. Sei que quando pego num livro quero sonhar - tal como quem vê séries, filmes e novelas, claro - , mas não consegui deixar de ter a sensação de que algo me soava a falso.



Já o leram? Qual é a vossa opinião?

Para o próximo mês vamos ler para o Clube Mário Zambujal. Espero gostar mais do livro que selecionar...
Boas leituras!