segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Próxima leitura em sorteio

A minha cara Spinelli do Delícias à Lareira falou-me de uma ideia bem gira que encontrou noutro blog e que lhe chamou a atenção: a TBR Jar. A minha querida Diana do Conto sobre mim também já aderiu à ideia.
Ora, a To Be Read Jar consiste numa jarrinha onde colocamos papelinhos com os títulos que ainda temos na estante à espera de vez. Depois , sorteamos a próxima leitura. É uma ideia fantástica!
 
 
Muitas vezes dou por mim tempos e tempos a olhar para os volumes sem conseguir decidir qual deles escolher. Costumo dar prioridade aos livros emprestados, e vou deixando os mesmos livros "para a próxima".
 
Isso de deixar livros acumular pó sem os ter lido não parece muito feliz - e estar de pé tanto tempo em frente ao móvel numa sala fria como é a "minha humilde mini-pseudo-biblioteca" cansa e dá azo a constipações e tosse e etc.!
 
Pois bem, decidi tomar coragem (que isto de sortear a próxima leitura podia correr mal, porque no ultimo momento podia ter mesmo muita vontade de escolher outro) e criar a minha própria TBR Jar. Isto é, a minha TBR "Box".
 
 
Nesta caixinha que outrora guardou brincos-maiores-que-já-não-uso coloquei os títulos dos livrinhos que mais recentes; de uns com uns aninhos que ficavam sempre para trás; de alguns que ficaram a meio; de dois que adorava reler; e de alguns que andavam por lá à espera que um dia lhes pegasse.
 
Preferi escrever em papelinhos iguais para evitar qualquer memória relacionada com a cor. E pronto: foi guardar títulos, agitar, respirar fundo, rezar ao ursinho da TBR Box  - "não saias, "Historiador", "não saias "Pêndulo de Foucault" -  e retirar o nome do feliz contemplado...

Gostaram da ideia? Vão aderir?

"A Livraria", Penelope Fitzgerald

“A Livraria” deixou-me dividida. É daqueles livros raros com frases improváveis que nos dão vontade de reler, com personagens com que me identifico, mas com um final repentino que não faz jus à história.
Florence, a protagonista, é uma viúva de meia-idade que decide dar um novo rumo à vida. Como tal, na pequena localidade onde vive, decide comprar a Old House, uma mansão antiga – a cair de podre e assombrada – para a transformar numa livraria.
No entanto, esta decisão não é bem vista por algumas das pessoas que a rodeiam, como o bancário que trata do empréstimo, ou Mrs. Gamart, uma senhora influente que vai puxando os cordelinhos para tirar a Old House das mãos de Florence. Não simpatizei com esta personagem. Nem com Milo, de quem desconfiei desde que aparece. Por outro lado, Christine, a pequena ajudante da livraria, muito prática e sem rodeios, torna-se inesquecível.
É passado numa localidade pequena, com os típicos constrangimentos de um sítio assim e o facto da Old House estar assombrada deu um toque cómico – ou melhor, trágico-cómico – a algumas situações. Infelizmente, o livro centra-se muitas vezes na contabilidade da loja, o que se torna um pouco aborrecido. Além disso, tinha a expectativa de que fosse tratar assuntos mais polémicos, já que a sinopse destaca o momento em que Florence coloca o “Lolita”, de Vladimir Nobokov, à venda. Malditas sinopses!
De qualquer forma, é diferente e fornece uma boa leitura. Gostei da forma como foi escrito e, no fundo, “A Livraria” parece ser daquele tipo de livros que fica na memória.
Tenho pena que tenha acabado tão depressa.
 
Já o leram? O que acharam?
 
 
http://www.bertrand.pt/ficha?id=11219999

 
Boas leituras!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

"O Mago - Aprendiz", Raymond E. Feist


Por vezes fico com a impressão de que os livros nunca são lidos da mesma forma em épocas diferentes. O livro, aquele objecto que fica tão bonito na estante, nunca muda. Nós sim.
Acontece que algures na minha adolescência pensei ter um gosto especial pela típica fantasia épica “à la Tolkien”. Bastava existir uma referência ao povo “élfico” para querer ler o dito livro. Entretanto esse gosto foi mudando. Por exemplo, li os dois primeiros livros da tetralogia “A Herança”, de Christopher Paolini e adorei-os! Não havia história mais perfeita do que a do rapaz e do dragão fêmea destinados à grandeza – mesmo que o enredo fosse semelhante ao do "Star Wars". O certo é que não consegui acabar o terceiro livro, “Brisingr”. Ficamos mais exigentes ou assim o pensamos?


“O Mago” chamou-me a atenção. Foi um bom regresso a essa época de elfos e dragões e feiticeiros, mas, neste caso, há um toque original. O mundo de Pug, o aprendiz de mago, é invadido por um exército alienígena!
Neste volume acompanhamos as aventuras dos amigos criados no torreão, Thomas e Pug, que pensam que as viverão sempre juntos; os primeiros amores; o interesse crescente de Carline a princesinha mimada pelo aprendiz e as rivalidades naturais entre adolescentes. No entanto, com o aparecimento dos “tsurani”, tudo muda.
Como primeiro volume é fantástico. Consegue transmitir uma boa apresentação das personagens principais e é, até, possível reparar no seu crescimento, seja em função da idade ou da força das circunstâncias, o que as torna mais credíveis. O final "O Mago"  consegue manter-nos suspensos em relação ao destino dos protagonistas, o que incentiva à leituras dos próximos volumes.
A presença de magia e dos outros povos típicos deste género, como os elfos e os anões proporcionaram-me uma certa nostalgia ao longo da leitura. Já tinha saudades.
Já o leram? O que acharam?

http://www.saidadeemergencia.com/produto/litfantastica-bang/fantasia-o-202346/o-mago-aprendiz/
 
 
Boas leituras!
 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

"O Rei do Mercado", Juliette Benzoni

Este segundo volume da trilogia “Segredo de Estado” desiludiu-me. Para já, na primeira parte de "o Rei do Mercado" a protagonista cai na mesma armadilha dos vilões de serviço por umas duas vezes. Torna-se monótono. Depois, fiquei com a ideia de que a Sílvia é bastante tonta por continuar apaixonada por aquele cavalheiro que não se mostra interessado nela até a rapariga se casar com quem puxou cordelinhos para a tirar da prisão. A sério? Sente ciúmes? Pfff
De qualquer forma, vale pela forma como enquandra a acção na História de França e pelas reviravoltas da “estória”. Espero que o terceiro seja bem mais interessante.
 
Já o leram? O que acharam?
 
Boas leituras!
http://www.bertrand.pt/ficha/O%20Rei%20do%20Mercado%20-%20O%20Segredo%20de?id=2108200
 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

"Norwegian Wood", Haruki Murakami

“Norwegian Wood” é sem dúvida o livro mais bonito dos poucos que li de Haruki Murakami. Aliás, é dos livros mais belos e melancólicos que já alguma vez li. Uma história de amor destinada à tragédia e frases delicadas dão-lhe esse posto.
Toru, o protagonista, oferece-nos o relato dos seus tempos de estudante ao sentir a necessidade de escrever aquelas memórias para não esquecer Naoko. É quase uma homenagem àquela rapariga por quem sente um amor tão puro, mesmo sendo a namorada do falecido melhor amigo, Kisuki.
Além disso, relata o dia-a-dia num dormitório masculino, as greves estudantis da época e as aventuras nocturnas com Nagasawa, um playboy incurável – e bastante desprezível, deixem-me dizê-lo. Conhece Midori, uma rapariga um tanto doida que vai dividir os seus sentimentos e, no fundo, é a ligação que tem ao mundo real. Quando o estado mental de Naoko piora e a leva a viver numa instituição, Toru começa a alienar-se. O mundo real não lhe parece autêntico.
A vida deste protagonista é quase cíclica. Toru acaba por viver situações semelhantes, por se ver rodeado de gente que segue caminhos idênticos e por sentir o mesmo abandono. Do mesmo modo, os triângulos amorosos de “Norwegian Wood” estão interligados. Estranho? É Murakami. E tal como num bom livro de Murakami, uma personagem bastante peculiar não regressa das férias e desaparece sem explicação.
Amei “Norwegian Wood”, simplesmente, desde o primeiro capítulo àquele final que deixa que pensar. Toru tem que escolher entre o passado e o presente. Terá sido uma boa escolha?
É claro que dispensava uma das cenas finais, pela sua falta de lógica, mas o sexo é um assunto alvo de alguma estranheza que se torna habitual nas obras deste autor. Se as personagens têm personalidades muito próprias, a sua visão do sexo também o é.
Para concluir, tenho apenas de dizer: leiam-no. A Spi “impingiu-mo” vezes sem conta e só tenho de lhe agradecer pelo empréstimo de um livro que já está no meu “top ten”. Uma vénia para ti, Spi!

P.S.: Não deixem também de ouvir a música dos Beatles a quem Murakami pediu o título emprestado para esta história. Faz todo o sentido.

Boas leituras!
http://www.fnac.pt/Norwegian-Wood-Haruki-Murakami/a175437
 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

"O Quarto da Rainha", Juliette Benzoni

"O Quarto da Rainha", o primeiro volume da trilogia "Segredo de Estado", de Juliette Benzoni, mostrou ser uma boa surpresa.
Através da história de Sílvia Valaines, dama de honor da rainha de França, Ana de Áustria, (que era espanhola e se mantinha de candeias às avessas com o esposo, Luís XIII), ficamos a par de uma teoria sobre a paternidade de Luís XIV e daquelas relações internacionais tão frágeis, e passeamos lado a lado de personagens históricas, desde o infame cardeal Richelieu ao "pai" da Gazette - e do jornalismo - Teofrasto Renaudot.
O livro conta uma estória "à moda antiga", como gosto de chamar, possuindo a típica heroína inocente e vítima de infortúnio; alguns triângulos amorosos; alguns cavalheiros de bom coração e um vilão horroroso que é impossível deixar de odiar. No entanto, há personagens ambíguas, que nos conseguem deixar a pensar nas suas intenções e também conseguimos ver a sua evolução natural ao longo do volume.
Além disso, as descrições são bastante boas e o enquadramento histórico é bem feito, já que as informações relevantes para se entender aquele período são dadas ao leitor de forma simples e sucinta.
Simpatizei com a protagonista, por muito inocente que fosse na corte, e por muito leal que se mostrasse pela sua paixão platónica, Francisco de Beaufort, que não corresponde àquele amor. Só há algo estranho: apesar de, por vezes, ser descrita como um pouco maliciosa, tal não se nota nas suas atitudes. Espero que seja "apenas" um erro de tradução...
Fiquei curiosa para saber o final desta história (ou melhor, saber se a pequena Sílvia finalmente tira o Francisco da cabeça; se Lafermas, "violador-profissional" tem um final merecido e se o cavaleiro de Raguenel consegue vingar a mãe da protagonista). A minha intenção é ler a trilogia de seguida. Vamos ver como corre.

Boas leituras!

http://www.bertrand.pt/ficha/O%20Quarto%20da%20Rainha%20-%20O%20Segredo?id=1553434


P.S.: cliquem na imagem para ler a sinopse.

 
 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Tirei férias do meu blog

Deixei o meu "Voyage" num cantinho por uns tempos e tirei umas férias. Talvez deva culpar a preguiça, a mamã de todos os males, segundo dizem por aí, ou talvez culpe o puro prazer de ler sem me preocupar com a opinião que tinha de escrever.
Contudo, dei por mim a registar a minha opinião sobre o último volume que li num caderno de rascunho - ora, o bichinho continuava cá -  e, na última Assembleia de Bruxas "de corpo presente" pensei  no "Voyage" com nostalgia. Sinceramente, já tinha saudades.
Cá estou de volta, para registar as minhas leituras.
 
Durante este interregno (que palavra engraçada para "interrupção") dediquei-me aos seguintes livros:
 
 - "A Irmã de Freud", de Goce Smilevski, um livro muito interessante que se debruça sobre a mudança de mentalidades, a loucura, a solidão e mostra outra faceta de Sigmund Freud;
 
http://www.bertrand.pt/ficha/a-irma-de-freud?id=14845305


 - "A Muralha de Gelo", Vol. II das "As Crónicas de Gelo e Fogo", de George R. R. Martin;
 
http://www.saidadeemergencia.com/produto/litfantastica-bang/fantasia-o-202346/a-muralha-de-gelo/
 
e "A Fúria dos Reis", Vol III das "Crónicas de Gelo e Fogo", de George R. R. Martin.
 
http://www.saidadeemergencia.com/produto/litfantastica-bang/fantasia-o-202346/a-furia-dos-reis/
 
 
Comecei ainda a ler "A Um Deus Desconhecido", de John Steinbeck, e "Lealdade Mortal", de J. D. Robb, mas, por agora, deixei-os em repouso na estante. O primeiro tem descrições muito boas, mas preciso da dose certa de paciência para não estranhar as atitudes de algumas personagens; o segundo parece-me mais adequado para ler na piscina, no Verão, já que lhe falta o "suspense" que espero de um policial.
 
Já os leram? O que acharam? Tenham umas boas leituras!
E, já agora, bom Halloween! Não se esqueçam de passar pelo Delícias à Lareira ;D 
 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

"Marina", Carlos Ruiz Zafón

"Marina" é comovente, mas não encheu as minhas medidas. É certo que fiquei agarrada ao livro, desejosa de conhecer o passado daquelas personagens tão sombrias, e que cheguei ao final com um nó na garganta. Mas também é certo que o achei algo forçado.
Neste romance, Óscar, um rapaz curioso que gosta de explorar a Barcelona que fica para lá do seu internato, conhece Marina. Curiosa e sonhadora, acaba por o levar até um cemitério esquecido, onde uma mulher vestida de negro visita uma campa sem nome. Seguem-na e a partir daí ficam imersos numa aventura um tanto... macabra.
É um livro com muita neblina, edifícios antigos e personagens atormentadas, bem ao estilo a que o autor nos habituou. Tem uma atmosfera negra, e conseguiu arrancar-me alguns arrepios - e torcer o nariz com nojo.
A relação de amizade entre Óscar, Marina e Gérman flui muito naturalmente, mas, como já referi, há algo de forçado no "mistério" que se esconde nos túneis de Barcelona. Aliás, "exagerado" talvez seja o tema mais apropriado. Tal como o uso de uma carruagem por alguém que, supostamente, quer passar despercebido. Enfim.
Tenho de começar a baixar as expectativas em relação aos primeiros livros dos escritores preferidos.

Sinopse