segunda-feira, 13 de junho de 2016

"Que Esperam os Macacos", Yasmina Khadra

Descobri Yasmina Khadra através da Spi do Delícias à Lareira que me emprestou "Os Anjos Morrem das Nossas Feridas", um livro de que não esperava gostar tanto como gostei. Fiquei curiosa por ler mais do escritor, tanto pelo estilo de escrita como pela forma de expor problemas sociais ao longo do romance.
Comecei "Que Esperam os Macacos" com expectativas elevadas e foi exactamente o estilo de narrativa que estranhei. Pareceu-me muito opinativo, como se o autor não tivesse conseguido evitar passar para o papel os seus próprios juízos, mas assim que entrei no enredo recuperei o fascínio por Khadra. Consegue ser empolgante e dei por mim a tentar resolver o caso, apesar de este ser mais do que um romance policial.
Neste livro, acompanhamos uma investigação encabeçada por Nora, que não só é mulher num país machista como é homossexual, que ficou encarregue de desvendar o caso da  jovem encontrada morta com uma mutilação no mínimo estranha. Isto parece ser apenas um fait divers num país corrupto, onde até o "patrão" de um grupo dos media, Ed Dayem, tem de publicar os "factos" que o "Todo-Poderoso" Haj Hamerlaine ordena que existam. Deparamo-nos, assim, com um retrato de uma Argélia governada nas sombras - ou melhor, em "águas turvas" - onde a justiça e a opinião pública são influenciadas por quem as tem nas mãos. Nora e Zine nadam contra a corrente, e fica a pergunta: que esperam os macacos?
Gostei muito deste romance e não fosse a escrita teria sido perfeito para mim, até porque Khadra consegue apresentar personagens realistas com as virtudes e defeitos de qualquer ser humano,tal como prefiro. 

Sinopse
Já o leram? Qual é a vossa opinião?
Boas leituras!

Nota: O exemplar lido foi cedido pela Editorial Bizâncio para opinião, a que desde já agradeço pela oportunidade.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Divulgação | "Acredita em Ti", Eduardo Silva


ACREDITA EM TI 
Eduardo Silva
15x23
224 páginas
15,50 €
Nas livrarias a 15 de Junho
Guerra e Paz Editores | Clube do Livro SIC
 
Sinopse
 
Ao longo da minha vida tive a oportunidade de constatar que o crescimento interior, contrariamente ao biológico, que acontece a um ritmo muito semelhante para todos, resulta das nossas vivências, aprendizagens e influências culturais. Vejo a mudança e o crescimento como dois elementos que interagem de forma contínua, orientando-nos em direcção ao nosso propósito de vida. Só aqueles que acreditam podem algum dia mudar e crescer! Quero revelar-te que nem sempre acreditei em mim! Houve períodos em que me senti vazio, incompleto, só e totalmente perdido. A sequência deste percurso vivido na primeira pessoa foi impulsionadora na concepção desta obra. Um livro que pretende inspirar-te para viveres uma vida equilibrada, livre, plena, confiante e feliz no presente.


Biografia do autor

Eduardo Silva. Iniciou o seu caminho no Desenvolvimento Pessoal em Inglaterra, onde trabalhou em diversos centros de tratamento, tendo sido CEO de um dos mais conceituados. O mestrado em Psicologia Clínica, a especialização em Counselling em Adicções, Perturbações do Comportamento Alimentar e os Processos de Luto, a especialização em Programação Neurolinguística e a sua extensa prática clínica permitiram criar o modelo terapêutico designado por Change & Grow. Participa na dinamização internacional de palestras, fóruns, congressos e sessões de Modificação Comportamental. Convidado regularmente para participar em programas televisivos das três estações portuguesas generalistas, canais de rádio e revistas. É membro da British Association for Counselling and Psychotherapy.
 
 
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sexta-feira, 3 de junho de 2016

"As Vinhas da Ira", John Steinbeck

Conhecem aquela sensação de que conseguem ouvir o silêncio quando o barulho acaba de repente?
Terminada a leitura de "As Vinhas da Ira", é assim que me sinto. É um Grande livro. Procurem-no e leiam-no, já!

Nesta obra acompanhamos os Joad que, devido à Grande Depressão e a más colheitas provocadas por tempestades de pó, são só uma das muitas famílias que se viu expulsa da terra de que cuidavam. Os donos das propriedades - que acabam por as ver entregues aos bancos - preferem o uso de um tractor a uma família inteira, o que origina uma vaga de migrantes que segue o sonho de chegar à Califórnia em busca de emprego, já que segundo uns prospectos se pedia pessoal para lá. Seguimos, assim, a jornada deles até a um outro estado, movidos por esperança e medo, a acampar do outro lado da estrada, e, no fundo, a sobreviver um dia de cada vez, como Tom já aprendera na prisão.
Não é uma história bonita, claro. Pelo meio da saga da família, o autor escreve capítulos onde se acompanha o período de uma forma mais geral, e onde se percebe a forma como eram enganados por quem conseguia manter o negócio aberto. Em tempos de crise, há sempre quem consiga prosperar com a miséria alheia, não é o que dizem?
Por todo o livro perpassa uma crítica ao sistema capitalista e à injustiça do êxodo: a terra intocada quando há pela estrada tanta gente disposta a trabalhar nela; a ganância de se plantar algodão "à força", pelo rendimento, sem pensar nas implicações, já que a planta seca o solo rapidamente; a fruta deitada fora para não se baixar o preço dela; os salários baixíssimos e a acusação de ser um "vermelho" quem se atrevesse a levantar a voz contra.
Perpassa ainda pelas personagens a ideia de que unidos seriam capazes de se revoltar, mas até que ponto? E não seria melhor aceitar o trabalho, por mais mal pago que fosse, para comprar o mínimo de alimento possível? E se se esgotar num lado, não é melhor partir para outro?
É uma realidade dura a que é retrata, mas também uma forma de abrir os olhos não só para um período do passado como para a nossa época. Não consegui deixar de pensar nos refugiados que chegam à Europa, desde o momento em que os Joad dão por eles a escolher o que levar consigo antes de abandonar a propriedade até à forma como são vistos com tanta desconfiança pelos outros.
Outra crítica presente pela obra prende-se com a religiosidade exarcebada. Com a família viaja um ex-pregador, Casy, que desistiu do cargo por preferir viver e sofrer como outro homem para perceber sobre o que falava à congregação. Ainda se cruzam com uma ou outra personagem para quem o mínimo de prazer na vida é um pecado, o que também nos leva a questionar o conceito. É que Tom fora preso por matar um homem, mas não se arrependeu de tal. Faria o mesmo outra vez. Já o tio John acha que pecou por não ter ajudado a tempo a falecida mulher. Dá que pensar. Será a noção de pecado algo pessoal, no fundo? Será assim tão mau um homem roubar se tiver fome? Ou ripostar contra a polícia para se defender?
Fiquei também impressionada com a forma como a solidariedade nasce tão facilmente entre os que não têm nada. Formam laços entre si e entreajudam-se em gestos tão simples como partilhar a refeição ou pagar a sepultura de um familiar, o que me tocou. 
Tenho ainda de partilhar que fiquei com a ideia de que Steinbeck perpassa também o ideal do amor à terra. A propriedade onde os Joad viviam manteve-os unidos e manteve vivos os avós. Fora dela, o que será da família?
 
O livro tocou-me e adorei lê-lo. É denso, mas muito bom. Recomendo!

Sinopse

Já leram "As Vinhas da Ira"? Qual é a vossa opinião?
Boas leituras!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Divulgação | "Camas Politicamente Incorrectas da Sexualidade Contemporânea", de Eugénia de Vasconcellos

Eugénia de Vasconcellos, poeta e ficcionista, acabou de publicar um extraordinário livro de poesia, «O quotidiano a secar em verso», que a crítica e o meio literário saudaram expressivamente. Na Alemanha, uma colectânea de contos de autoras portuguesas, em que participa, vai também ser traduzida, agora. A Guerra e Paz decidiu, por isso, relançar, com nova capa, um ensaio da autora que continua actualíssimo: «Camas Politicamente Incorrectas da Sexualidade Contemporânea».

Sinopse
Há três razões essenciais para se ler este livro:

1. «As Camas» apresenta-nos a nossa sexualidade como nunca foi discutida.
2. É um livro de quatro camas – ou de quatro maneiras de irmos para a cama – todas elas objecto de uma análise irreverente: a cama feminista, a cama católica, a cama de casal e a cama permissiva.
3. É um livro sério, profundo, francamente provocador e divertido, que se confronta com Freud e Jung, com clássicos como «O Erotismo», de Georges Bataille, ou os romances de Sade, e com autoras contemporâneas como Judith Butler, Naomi Wolf e Camille Paglia.

O índice destas «Camas Politicamente Incorrectas da Sexualidade Contemporânea» deixa antever o debate polémico e apaixonante que o livro encerra:  

INTRODUÇÃO
AS CAMAS DO BARBA AZUL
I. A cama feminista: mulheres de pénis e homens castrados
Do feminismo à revolução sexual
II. A cama de casal: estás a dormir? Então, chega-te para lá que tens os pés frios
A decadência institucional do casamento
III. A cama católica: e a isto queres chamar culpa ou pecado? Ai meu Deus… não sei, faz lá mais a ver se me decido
A perda de influência da religião católica
IV. A cama modernaça: liga aí a televisão, se fazes favor, humm… como é que disseste que te chamavas?
O pós-modernismo e o nivelamento da cultura e da arte

Eugénia de Vasconcellos escreveu um livro notável para ficarmos a saber em que camas andamos a deitar-nos. Regressa às livrarias portuguesas a partir desta quarta-feira, 1 de Junho.
 
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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Divulgação | Novidades Guerra e Paz: bestsellers de volta às livrarias



Sinopse
São dois casos de sucesso junto dos leitores portugueses e estão de volta às livrarias. O romance As pessoas felizes lêem e bebem café, de Agnès Martin-Lugand, e Como Falar Para as Crianças Ouvirem e Ouvir Para as Crianças Falarem, de Adele Faber e Elaine Mazlish, estão disponíveis a partir de 1 de Junho.

A pedido dos leitores portugueses, a Guerra e Paz faz o relançamento do romance de estreia de Agnès Martin-Lugand, que já ultrapassou os 10 mil exemplares vendidos e foi traduzido em mais de vinte países. As pessoas felizes lêem e bebem café é um romance cheio de sensualidade que nos leva a saber quem somos, do que gostamos e porque vivemos. Uma história que nos recorda que podemos recomeçar e que a chave para sermos felizes está nas nossas mãos.

Sinopse
Como Falar Para as Crianças Ouvirem e Ouvir Para as Crianças Falarem é considerado internacionalmente como «A Bíblia dos Pais». Através de um método de comunicação útil e eficaz, ilustrado com exemplos práticos, aprenda formas inovadoras de resolver os problemas do dia-a-dia: lidar com os sentimentos negativos do seu filho – frustração, decepção, raiva; exprimir a sua raiva sem ferir; estabelecer limites firmes mantendo a boa vontade; usar alternativas ao castigo; resolver conflitos familiares facilmente. Usar alternativas à palavra «Não». Traduzido em todo o mundo, com mais de 2 milhões de exemplares vendidos, o livro de Adele Faber e Elaine Mazlish está no top de mais vendidos da Amazon há mais de 20 anos. Este é um livro útil, escrito numa linguagem simples, com exemplos práticos, que todos os pais devem ter em casa.



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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Uma espécie de Não-Balanço Mensal que também é um Não-Plano

Passo a explicar: para quem acompanha o meu blog decerto já se terá apercebido que tenho alguma dificuldade em seguir um plano com rigor. Seja pelo tamanho da pilha planeada ou porque não gosto de me sentir obrigada a ler algo, o certo é que o planeamento muitas vezes se revela difícil para mim. Como blogger, ainda me sinto culpada. Sinto que se mudar de plano ou não o seguir estou a enganar os seguidores. Se não lhe contar como correu a leitura devido ao planeamento, idem.
Já tinha comentado isto com a Spi do vizinho Delícias à Lareira e portanto, por agora não vou fazer planos de leitura rigorosos. Acompanho o Desafio de Clássicos e partilho no grupo de discussão do goodreads alguma ideia de leitura para o Desafio Inverso, se for o caso, mas para já não coloco a listagem no blog.
Da mesma maneira, em princípio vou fazer um balanço dos desafios no final do ano, quando publicar um balanço de leituras. Já que são desafios anuais, acho que tem a sua piada.

Entretanto, digam-me: a meio do ano, como sentem que estão a correr os vossos desafios?
Por agora tenho notado que continuei a diversificar autores e géneros à semelhança do ano passado, o que muito me agrada...

Boas leituras!

quarta-feira, 25 de maio de 2016

"À Espera de Bojangles", Olivier Bourdeaut

Este é um livro sobre o amor de um casal. Através da sua perspectiva de criança, o narrador relata-nos as peculiaridades de uma vida familiar que, se no início parece ter a dose de loucura ideal dos inconformistas, acaba por se mostrar mais negra.
O filho, quando menino, sente-se deslumbrado com os pais, que dão festas noite após noite e dançam pela sala ao som de "Mr. Bojangle", por Nina Simone. É uma vida de sonho para uma criança que tem mais do que uma cama à escolha no quarto e uma ave exótica por irmã, a Menina Sem Préstimo. Joga às damas no chão preto e branco da entrada do apartamento e na escola descobriu que tem que mentir no sentido inverso, já que nem a professora nem os colegas acreditam que, apesar de ele mentir tão bem como a mãe gosta, o que conta sobre os acontecimentos a que assiste em casa são reais.
Sente um fascínio especial pela mãe, impulsiva e divertida como uma criança, que tem todos os dias direito a um nome diferente atribuído pelo marido, George. É à volta dela que a história gira, mas através de uma ou outra entrada dos diários do pai acompanhamos outra perspectiva sobre a mulher. Já contei que partilham um "amor louco"?
Gostei muito de ler este "À Espera de Bojangles". Parte do meu gosto pelo livro prendeu-se pelo estilo narrativo, que adorei. Consegue ser cativante, e não deixei de ter a sensação de que o protagonista estava ao meu lado a contar-me estes episódios, que de tão cómicos se podem tornar tristes. Diverti-me também com a perspectiva de alguém que ainda recorda o que é ser criança, que percebe certas frases de forma literal, mas também consegue ser assertivo, já que para ele tudo é natural. Os convidados bem podem adormecer pelos sofás e a mãe bem pode usar o sofá como trampolim, que é o dia-a-dia a que esteve habituado.
Ainda assim, cheguei ao final com um certo aperto. É um livro agridoce, em grande parte pela paixão dos pais. Tanta loucura não será egoísta? 

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Já o leram? Boas leituras!

Nota: O meu exemplar foi-me disponibilizado pela Guerra e Paz Editores para opinião,  a quem desde já agradeço pela oportunidade.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Ainda há vida no mundo dos Snobs...

É um facto, mas são avistados com uma frequência cada vez maior por cá. Não há muito tempo, o nosso vizinho Delícias à Lareira voltava a mencioná-los. Hoje deparei-me com mais um deles, enquanto deslizava pela rede social.

Não me surpreendeu. Já não simpatizava por aí além com o sujeito em questão, mas hoje tive a certeza de que ele é um deles. Eles vivem no meio de nós, "I believe it". E o habitat principal situa-se no nossos ecrãs, pelos vistos.
É claro que tenho de dizer que, e antes que me ameacem com umas bolachadas - que é assim que chamamos às bofetadas no interior do "Rectângulo" - eu percebo o que ele queria dizer. Não é o que todo o aspirante a escritor lê em textos sobre o ofício? De "escreve o livro que queres ler", ou "se quiseres ler um livro que não existe escreve-o", e ainda, de "escreve para ti, e não o que os outros querem ler", não está o Pinterest cheio?
Bem, ele tentou dizer algo do género, tenho a certeza, mas só cá para nós, acho que se desmascarou. Acho! O certo é que a frase lhe saiu mal. Não sei se tal se deve à construção ou àquele "eu" ali tão marcado, mas assim que a li fiquei com a ideia de que neste mundo não "existe" os livros que ele gostaria de ler, por isso, bolas, lá tem de ser ele a escrevê-los...

E agora eu podia dizer para ele chamar a nave-mãe para o levar de novo para o Mundo dos Snobs, já que neste ele não encontra nada para ler, o "Alf" nos valha. 
Sou só eu que fiquei com a ideia de que naquelas duas linhas acabou-se de se demonstrar uma grande falta de interesse pelo trabalho dos colegas de profissão? Que, pura e simplesmente, não existe nada que ele queira ler? E o mais estranho, é que dentro do género dele até qualquer um de nós, "blogger-leitor", lhe podia dar umas quantas sugestões. Certo? Apesar de que, assim de repente, a única sugestão de que me lembro é a de um remédio que tomado ao acordar não faz mal a ninguém, umas gotinhas de Humildade. E Ponderação, que as "celebridades" se esquecem sempre de tal e depois passam por Snobs. Ou são Snobs disfarçados? Humm...

O que acham?
Nota: Eu li "A Filha do Capitão" do escritor referido e gostei. Só acho que a pesquisa feita se podia ter confundido melhor com a história em certas passagens. Gosto muito de aprender quando leio, mas se uma pessoa pega num livro para ler um romance histórico, é porque quer ler... um romance histórico. De contrário também vai consultar os arquivos.
Já tentei ler "O Codex 632", mas desisti aos primeiros capítulos. Achei o protagonista demasiado - como dizer isto sem ofender ninguém? - "cheio de si" para me prender à leitura. Não quero ler sobre um tipo interessado numa boazona quando tem uma mulher triste e uma criança deficiente a precisar da atenção dele em casa...

Entretanto, boas leituras!