quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Tirei férias do meu blog

Deixei o meu "Voyage" num cantinho por uns tempos e tirei umas férias. Talvez deva culpar a preguiça, a mamã de todos os males, segundo dizem por aí, ou talvez culpe o puro prazer de ler sem me preocupar com a opinião que tinha de escrever.
Contudo, dei por mim a registar a minha opinião sobre o último volume que li num caderno de rascunho - ora, o bichinho continuava cá -  e, na última Assembleia de Bruxas "de corpo presente" pensei  no "Voyage" com nostalgia. Sinceramente, já tinha saudades.
Cá estou de volta, para registar as minhas leituras.
 
Durante este interregno (que palavra engraçada para "interrupção") dediquei-me aos seguintes livros:
 
 - "A Irmã de Freud", de Goce Smilevski, um livro muito interessante que se debruça sobre a mudança de mentalidades, a loucura, a solidão e mostra outra faceta de Sigmund Freud;
 
http://www.bertrand.pt/ficha/a-irma-de-freud?id=14845305


 - "A Muralha de Gelo", Vol. II das "As Crónicas de Gelo e Fogo", de George R. R. Martin;
 
http://www.saidadeemergencia.com/produto/litfantastica-bang/fantasia-o-202346/a-muralha-de-gelo/
 
e "A Fúria dos Reis", Vol III das "Crónicas de Gelo e Fogo", de George R. R. Martin.
 
http://www.saidadeemergencia.com/produto/litfantastica-bang/fantasia-o-202346/a-furia-dos-reis/
 
 
Comecei ainda a ler "A Um Deus Desconhecido", de John Steinbeck, e "Lealdade Mortal", de J. D. Robb, mas, por agora, deixei-os em repouso na estante. O primeiro tem descrições muito boas, mas preciso da dose certa de paciência para não estranhar as atitudes de algumas personagens; o segundo parece-me mais adequado para ler na piscina, no Verão, já que lhe falta o "suspense" que espero de um policial.
 
Já os leram? O que acharam? Tenham umas boas leituras!
E, já agora, bom Halloween! Não se esqueçam de passar pelo Delícias à Lareira ;D 
 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

"Marina", Carlos Ruiz Zafón

"Marina" é comovente, mas não encheu as minhas medidas. É certo que fiquei agarrada ao livro, desejosa de conhecer o passado daquelas personagens tão sombrias, e que cheguei ao final com um nó na garganta. Mas também é certo que o achei algo forçado.
Neste romance, Óscar, um rapaz curioso que gosta de explorar a Barcelona que fica para lá do seu internato, conhece Marina. Curiosa e sonhadora, acaba por o levar até um cemitério esquecido, onde uma mulher vestida de negro visita uma campa sem nome. Seguem-na e a partir daí ficam imersos numa aventura um tanto... macabra.
É um livro com muita neblina, edifícios antigos e personagens atormentadas, bem ao estilo a que o autor nos habituou. Tem uma atmosfera negra, e conseguiu arrancar-me alguns arrepios - e torcer o nariz com nojo.
A relação de amizade entre Óscar, Marina e Gérman flui muito naturalmente, mas, como já referi, há algo de forçado no "mistério" que se esconde nos túneis de Barcelona. Aliás, "exagerado" talvez seja o tema mais apropriado. Tal como o uso de uma carruagem por alguém que, supostamente, quer passar despercebido. Enfim.
Tenho de começar a baixar as expectativas em relação aos primeiros livros dos escritores preferidos.

Sinopse
 

terça-feira, 30 de julho de 2013

"A Guerra dos Tronos" - "As Crónicas de Gelo e Fogo I", George R.R. Martin

Depois de ter ficado fã da série "Game of Thrones", produzida pela HBO, fiquei com vontade de ler os livros - até porque gostava de saber ainda este Inverno se alguém vai decepar o querido Rei Joffrey.
Não me arrependi da decisão (obrigada, grupo Impresa, pelos livros de bolso). Por muito que tenha tendência para  comparar o li com a série, adorei-o. Consegue ser viciante  e profundo. Somos colocados a par das emoções das personagens, dos seus medos, anseios e esperanças. Não deixei de sentir uma nuvem de mau presságio que rodeia os Stark, apesar de já estar à espera de que a sorte não sorrisse àquela família.
Além disso, a História daquele continente e a superstições dos seus habitantes estão bem presentes ao longo da "estória", o que torna a leitura muito interessante.
Aguardo os próximos capítulos...

Sinopse
 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

"O Circo dos Sonhos", Erin Morgenstern

"O Circo dos Sonhos" é, simplesmente, mágico. Há que aplaudir a autora por este feito. Conseguiu criar uma história de amor linda e um universo envolvente com personagens cativantes do qual não apetece sair. E nós próprios nos tornamos espectadores - literalmente.
Este é também um exemplo de que a "palha" é completamente dispensável. Consegui criar empatia com o pequeno Bailey ou com Herr Thiessen sem necessitar de quilos de páginas sobre eles. Da mesma forma, o romance que se desenrola entre Celia e Marco, os dois mágicos, consegue parecer enternecedor sem doses de diálogos de alcova (blagh).
Outro ponto a favor vai para a forma como o livro foi editado, com capítulos pequenos, alternando personagens. O ritmo de leitura torna-se muito mais rápido e a própria história, apresentada por vários pontos de vista, torna-se mais interessante. Acompanhamos o gosto de Herr Thiessen pelo circo e o surgimento dos "rêveurs"; a amizade que o pequeno Bailey toma por Poppet e Widget; a mágoa de Isobel, apaixonada por Marco, e as reacções dos responsáveis pelo "Cirque des Rêves", à medida que notam que algo não bate certo. Tudo tem  um preço.
Posto isto, só tenho a dizer/escrever que o livro é realmente uma grande estreia de Erin Morgenstern.
 

Sinopse
 
Para mais informações sobre a escritora cliquem aqui. Sabiam que a própria Erin criou um baralho de Tarot a preto e branco? Interessante...

sexta-feira, 5 de julho de 2013

"Annabel", Kathleen Winter

"Annabel"  é tocante. Deixou-me com um nó na garganta no final. O livro conta a história de Wayne, um jovem que nasce hermafrodita, mas que é educado como rapaz.
Nascido numa comunidade do Labrador, num local onde a principal actividade económica dos homens é a caça, Treadway Blake decide que o seu filho seja operado e criado conforme um rapaz. No entanto, o pequeno Wayne parece mais interessado no desenho de padrões e pontes, mostra-se mais delicado do que os seus colegas e o seu melhor amigo... é uma menina. 
Ao longo da história, dei por mim a pensar: até que ponto ter sido criado como um rapaz foi o correcto? Se Wayne tivesse sido educado como Annabel não teria tido o seu percurso facilitado, evitado problemas " de saúde" e situações menos agradáveis?E se tivesse sido educado sem um parâmetro de género?   
É um livro comovente, que revela a própria mágoa dos pais perante a condição do filho e o seu afastamento enquanto casal, e que incide sobre a solidão, em várias vertentes, como a de Jacinta, a mãe, que teme ter perdido a sua filha com a escolha do marido e sente tanta falta da cidade onde viveu; e a de Wayne/Annabel, sozinho num mundo que prevê a distinção entre masculino e feminino.
Nem sempre as escolhas que os outros tomam por nós revelam as melhores consequências mas, no fundo, até que ponto a sociedade estaria preparada para aceitar alguém que não é homem, nem mulher, mas ambos? Somos habituados a catalogar o que é "de menino" e o que "de menina" desde cedo, a distinguir branco de preto. O cinzento nem sempre é aceite.
"Annabel" merece 5 estrelas.

Sinopse
 
 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

"Kafka à Beira Mar", Haruki Murakami

Conhecem aquela sensação de vazio depois do final de um livro intenso? Sabem o que é perguntarem "o que achaste" e... não conseguirem responder? Ora aí está o meu retrato depois virar a ultima página de "Kafka à Beira Mar".
Tenho pena que não tenha sido viciante, que tenha demorado algum tempo até se perceber qual é a ligação entre personagens. Os dois protagonistas, aparentemente, nada têm em comum. Nakata é um velhote peculiar "muito pouco brilhante" que conversa com gatos, e Kafka, de 15 anos, foi amaldiçoado pelo pai a cumprir um destino com um toque do mito de Édipo na nossa era. No entanto, as suas histórias caminham lado a lado numa odisseia. 
Aqui o destino tem um papel central, ou não tentasse Kafka fugir da maldição; Nakata necessitasse de encontrar algo, mesmo que não compreenda logo "o quê" e "para quê"; e pessoas (ou "coisas") encontradas "por acaso" dessem um empurrãozinho para que as tarefas se concretizem.
Foi um livro curioso, como só os deste autor podem ser. Há personagens de personalidades e hábitos muito próprios, como Oshima e Hoshino, que auxiliam os protagonistas, e Saeki, que está alienada da "nossa" realidade. Há coisas sem forma que tomam de empréstimo figuras de marcas de produtos e um - ou dois - assassínios necessários. Mais não digo. Um dos encantos desta obra reside exactamente na sua capacidade de nos surpreender.
Leiam-no e discutam-no com um amigo. Ou com o gato.

Sinopse

domingo, 9 de junho de 2013

Assembleias de Bruxas e Contos de Fadas

Os famosos "contos infantis" de origem europeia serão assim tão "infantis" quanto isso? Já repararam como são sombrios, mas, ao mesmo tempo, conseguem ser uma lição de moral para uma criança?
No Delícias à Lareira é este o mote para mais uma "Assembleia de Bruxas", a nova rubrica do blog.

Cliquem aqui e juntem-se à discussão!
 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

"O Nó do Amor", Elizabeth Chadwick


Antes de começar a ler "O Nó do Amor" dei por mim a ler as boas críticas "goodridianas" e da blogosfera e cheguei à conclusão que muitos o apontavam como o romance mais fraco de Elizabeth. Comparando com "O Leão Escarlate" concordo, porque a História não é o ponto central, mas sim um contexto onde as vidas de Catrin e Oliver estão inseridas, neste caso a época da guerra civil que opôs Estêvão a Matilde, um período conturbado que vergou o povo (como qualquer conflito). No entanto, é bastante cativante. Duas pessoas que sofreram no passado com a perda dos seus cônjuges apaixonam-se – quem sabe, com a ajuda de “meias escarlates” -, mas o destino não parece muito de feição para que fiquem juntos. Não Só Oliver Pascal é um cavaleiro importante para a facção de Matilde, em constante perigo, como o marido-supostamente-morto de Catrin aparece, vivo e de boa saúde. E é aqui que as coisas aquecem. É engraçado ver a protagonista feminina a ser tentada por outro homem, e não o contrário, como é habitual.
Foi um livro de que gostei, que me fez sofrer com as personagens, apesar de, por vezes, pensar que tinham a sua sorte bastante facilitada (é o que dá ficar-se nas boas graças do Rei). Há um certo realismo nas personalidades das personagens, que as assemelha a pessoas de carne e osso, com qualidades, defeitos, medos e esperanças.
Tive pena que Richard, o filho ilegítimo do velho rei Henrique de quem Catrin era aia, que sofreu tanto no início da história e parecia uma personagem de tão grande importância, deixasse de ter uma presença marcante ao longo da acção. E também tive pena que Chadwick não impusesse mais suspense na primeira parte do livro em relação ao responsável do ataque a Penfoss, ou ao assassino de uma das damas da condessa Mabile. Foi previsível. Já agora, uma morte de um dos vilões digna de uma telenovela não ficaria mal aqui. Mas pronto.
“O Nó do Amor”, à semelhança de “O Leão Escarlate”, foca o lado feminino da época, dando uma relevância maior ao papel da mulher durante a Idade Média. Neste caso, ficamos a par do dia-a-dia de uma parteira, uma figura que merecia uma dose de suspeição, ao correr o risco de ser apontada como bruxa, mas também de respeito, versada em “assuntos femininos”. Um ponto muito interessante, quando no século XXI o parto continua a ser uma ocasião assustadora, mesmo com assistência médica.
Apesar de não ter providenciado uma leitura viciante, e de me ter arrancado uns bocejos na primeira parte – e alguns revirares de olhos com conversas de alcova – providenciou bons momentos de leitura. Acho que não há nada mais desagradável que sentirmo-nos indiferentes pelo destino dos protagonistas.