sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

"O Rei do Mercado", Juliette Benzoni

Este segundo volume da trilogia “Segredo de Estado” desiludiu-me. Para já, na primeira parte de "o Rei do Mercado" a protagonista cai na mesma armadilha dos vilões de serviço por umas duas vezes. Torna-se monótono. Depois, fiquei com a ideia de que a Sílvia é bastante tonta por continuar apaixonada por aquele cavalheiro que não se mostra interessado nela até a rapariga se casar com quem puxou cordelinhos para a tirar da prisão. A sério? Sente ciúmes? Pfff
De qualquer forma, vale pela forma como enquandra a acção na História de França e pelas reviravoltas da “estória”. Espero que o terceiro seja bem mais interessante.
 
Já o leram? O que acharam?
 
Boas leituras!
http://www.bertrand.pt/ficha/O%20Rei%20do%20Mercado%20-%20O%20Segredo%20de?id=2108200
 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

"Norwegian Wood", Haruki Murakami

“Norwegian Wood” é sem dúvida o livro mais bonito dos poucos que li de Haruki Murakami. Aliás, é dos livros mais belos e melancólicos que já alguma vez li. Uma história de amor destinada à tragédia e frases delicadas dão-lhe esse posto.
Toru, o protagonista, oferece-nos o relato dos seus tempos de estudante ao sentir a necessidade de escrever aquelas memórias para não esquecer Naoko. É quase uma homenagem àquela rapariga por quem sente um amor tão puro, mesmo sendo a namorada do falecido melhor amigo, Kisuki.
Além disso, relata o dia-a-dia num dormitório masculino, as greves estudantis da época e as aventuras nocturnas com Nagasawa, um playboy incurável – e bastante desprezível, deixem-me dizê-lo. Conhece Midori, uma rapariga um tanto doida que vai dividir os seus sentimentos e, no fundo, é a ligação que tem ao mundo real. Quando o estado mental de Naoko piora e a leva a viver numa instituição, Toru começa a alienar-se. O mundo real não lhe parece autêntico.
A vida deste protagonista é quase cíclica. Toru acaba por viver situações semelhantes, por se ver rodeado de gente que segue caminhos idênticos e por sentir o mesmo abandono. Do mesmo modo, os triângulos amorosos de “Norwegian Wood” estão interligados. Estranho? É Murakami. E tal como num bom livro de Murakami, uma personagem bastante peculiar não regressa das férias e desaparece sem explicação.
Amei “Norwegian Wood”, simplesmente, desde o primeiro capítulo àquele final que deixa que pensar. Toru tem que escolher entre o passado e o presente. Terá sido uma boa escolha?
É claro que dispensava uma das cenas finais, pela sua falta de lógica, mas o sexo é um assunto alvo de alguma estranheza que se torna habitual nas obras deste autor. Se as personagens têm personalidades muito próprias, a sua visão do sexo também o é.
Para concluir, tenho apenas de dizer: leiam-no. A Spi “impingiu-mo” vezes sem conta e só tenho de lhe agradecer pelo empréstimo de um livro que já está no meu “top ten”. Uma vénia para ti, Spi!

P.S.: Não deixem também de ouvir a música dos Beatles a quem Murakami pediu o título emprestado para esta história. Faz todo o sentido.

Boas leituras!
http://www.fnac.pt/Norwegian-Wood-Haruki-Murakami/a175437
 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

"O Quarto da Rainha", Juliette Benzoni

"O Quarto da Rainha", o primeiro volume da trilogia "Segredo de Estado", de Juliette Benzoni, mostrou ser uma boa surpresa.
Através da história de Sílvia Valaines, dama de honor da rainha de França, Ana de Áustria, (que era espanhola e se mantinha de candeias às avessas com o esposo, Luís XIII), ficamos a par de uma teoria sobre a paternidade de Luís XIV e daquelas relações internacionais tão frágeis, e passeamos lado a lado de personagens históricas, desde o infame cardeal Richelieu ao "pai" da Gazette - e do jornalismo - Teofrasto Renaudot.
O livro conta uma estória "à moda antiga", como gosto de chamar, possuindo a típica heroína inocente e vítima de infortúnio; alguns triângulos amorosos; alguns cavalheiros de bom coração e um vilão horroroso que é impossível deixar de odiar. No entanto, há personagens ambíguas, que nos conseguem deixar a pensar nas suas intenções e também conseguimos ver a sua evolução natural ao longo do volume.
Além disso, as descrições são bastante boas e o enquadramento histórico é bem feito, já que as informações relevantes para se entender aquele período são dadas ao leitor de forma simples e sucinta.
Simpatizei com a protagonista, por muito inocente que fosse na corte, e por muito leal que se mostrasse pela sua paixão platónica, Francisco de Beaufort, que não corresponde àquele amor. Só há algo estranho: apesar de, por vezes, ser descrita como um pouco maliciosa, tal não se nota nas suas atitudes. Espero que seja "apenas" um erro de tradução...
Fiquei curiosa para saber o final desta história (ou melhor, saber se a pequena Sílvia finalmente tira o Francisco da cabeça; se Lafermas, "violador-profissional" tem um final merecido e se o cavaleiro de Raguenel consegue vingar a mãe da protagonista). A minha intenção é ler a trilogia de seguida. Vamos ver como corre.

Boas leituras!

http://www.bertrand.pt/ficha/O%20Quarto%20da%20Rainha%20-%20O%20Segredo?id=1553434


P.S.: cliquem na imagem para ler a sinopse.

 
 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Tirei férias do meu blog

Deixei o meu "Voyage" num cantinho por uns tempos e tirei umas férias. Talvez deva culpar a preguiça, a mamã de todos os males, segundo dizem por aí, ou talvez culpe o puro prazer de ler sem me preocupar com a opinião que tinha de escrever.
Contudo, dei por mim a registar a minha opinião sobre o último volume que li num caderno de rascunho - ora, o bichinho continuava cá -  e, na última Assembleia de Bruxas "de corpo presente" pensei  no "Voyage" com nostalgia. Sinceramente, já tinha saudades.
Cá estou de volta, para registar as minhas leituras.
 
Durante este interregno (que palavra engraçada para "interrupção") dediquei-me aos seguintes livros:
 
 - "A Irmã de Freud", de Goce Smilevski, um livro muito interessante que se debruça sobre a mudança de mentalidades, a loucura, a solidão e mostra outra faceta de Sigmund Freud;
 
http://www.bertrand.pt/ficha/a-irma-de-freud?id=14845305


 - "A Muralha de Gelo", Vol. II das "As Crónicas de Gelo e Fogo", de George R. R. Martin;
 
http://www.saidadeemergencia.com/produto/litfantastica-bang/fantasia-o-202346/a-muralha-de-gelo/
 
e "A Fúria dos Reis", Vol III das "Crónicas de Gelo e Fogo", de George R. R. Martin.
 
http://www.saidadeemergencia.com/produto/litfantastica-bang/fantasia-o-202346/a-furia-dos-reis/
 
 
Comecei ainda a ler "A Um Deus Desconhecido", de John Steinbeck, e "Lealdade Mortal", de J. D. Robb, mas, por agora, deixei-os em repouso na estante. O primeiro tem descrições muito boas, mas preciso da dose certa de paciência para não estranhar as atitudes de algumas personagens; o segundo parece-me mais adequado para ler na piscina, no Verão, já que lhe falta o "suspense" que espero de um policial.
 
Já os leram? O que acharam? Tenham umas boas leituras!
E, já agora, bom Halloween! Não se esqueçam de passar pelo Delícias à Lareira ;D 
 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

"Marina", Carlos Ruiz Zafón

"Marina" é comovente, mas não encheu as minhas medidas. É certo que fiquei agarrada ao livro, desejosa de conhecer o passado daquelas personagens tão sombrias, e que cheguei ao final com um nó na garganta. Mas também é certo que o achei algo forçado.
Neste romance, Óscar, um rapaz curioso que gosta de explorar a Barcelona que fica para lá do seu internato, conhece Marina. Curiosa e sonhadora, acaba por o levar até um cemitério esquecido, onde uma mulher vestida de negro visita uma campa sem nome. Seguem-na e a partir daí ficam imersos numa aventura um tanto... macabra.
É um livro com muita neblina, edifícios antigos e personagens atormentadas, bem ao estilo a que o autor nos habituou. Tem uma atmosfera negra, e conseguiu arrancar-me alguns arrepios - e torcer o nariz com nojo.
A relação de amizade entre Óscar, Marina e Gérman flui muito naturalmente, mas, como já referi, há algo de forçado no "mistério" que se esconde nos túneis de Barcelona. Aliás, "exagerado" talvez seja o tema mais apropriado. Tal como o uso de uma carruagem por alguém que, supostamente, quer passar despercebido. Enfim.
Tenho de começar a baixar as expectativas em relação aos primeiros livros dos escritores preferidos.

Sinopse
 

terça-feira, 30 de julho de 2013

"A Guerra dos Tronos" - "As Crónicas de Gelo e Fogo I", George R.R. Martin

Depois de ter ficado fã da série "Game of Thrones", produzida pela HBO, fiquei com vontade de ler os livros - até porque gostava de saber ainda este Inverno se alguém vai decepar o querido Rei Joffrey.
Não me arrependi da decisão (obrigada, grupo Impresa, pelos livros de bolso). Por muito que tenha tendência para  comparar o li com a série, adorei-o. Consegue ser viciante  e profundo. Somos colocados a par das emoções das personagens, dos seus medos, anseios e esperanças. Não deixei de sentir uma nuvem de mau presságio que rodeia os Stark, apesar de já estar à espera de que a sorte não sorrisse àquela família.
Além disso, a História daquele continente e a superstições dos seus habitantes estão bem presentes ao longo da "estória", o que torna a leitura muito interessante.
Aguardo os próximos capítulos...

Sinopse
 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

"O Circo dos Sonhos", Erin Morgenstern

"O Circo dos Sonhos" é, simplesmente, mágico. Há que aplaudir a autora por este feito. Conseguiu criar uma história de amor linda e um universo envolvente com personagens cativantes do qual não apetece sair. E nós próprios nos tornamos espectadores - literalmente.
Este é também um exemplo de que a "palha" é completamente dispensável. Consegui criar empatia com o pequeno Bailey ou com Herr Thiessen sem necessitar de quilos de páginas sobre eles. Da mesma forma, o romance que se desenrola entre Celia e Marco, os dois mágicos, consegue parecer enternecedor sem doses de diálogos de alcova (blagh).
Outro ponto a favor vai para a forma como o livro foi editado, com capítulos pequenos, alternando personagens. O ritmo de leitura torna-se muito mais rápido e a própria história, apresentada por vários pontos de vista, torna-se mais interessante. Acompanhamos o gosto de Herr Thiessen pelo circo e o surgimento dos "rêveurs"; a amizade que o pequeno Bailey toma por Poppet e Widget; a mágoa de Isobel, apaixonada por Marco, e as reacções dos responsáveis pelo "Cirque des Rêves", à medida que notam que algo não bate certo. Tudo tem  um preço.
Posto isto, só tenho a dizer/escrever que o livro é realmente uma grande estreia de Erin Morgenstern.
 

Sinopse
 
Para mais informações sobre a escritora cliquem aqui. Sabiam que a própria Erin criou um baralho de Tarot a preto e branco? Interessante...

sexta-feira, 5 de julho de 2013

"Annabel", Kathleen Winter

"Annabel"  é tocante. Deixou-me com um nó na garganta no final. O livro conta a história de Wayne, um jovem que nasce hermafrodita, mas que é educado como rapaz.
Nascido numa comunidade do Labrador, num local onde a principal actividade económica dos homens é a caça, Treadway Blake decide que o seu filho seja operado e criado conforme um rapaz. No entanto, o pequeno Wayne parece mais interessado no desenho de padrões e pontes, mostra-se mais delicado do que os seus colegas e o seu melhor amigo... é uma menina. 
Ao longo da história, dei por mim a pensar: até que ponto ter sido criado como um rapaz foi o correcto? Se Wayne tivesse sido educado como Annabel não teria tido o seu percurso facilitado, evitado problemas " de saúde" e situações menos agradáveis?E se tivesse sido educado sem um parâmetro de género?   
É um livro comovente, que revela a própria mágoa dos pais perante a condição do filho e o seu afastamento enquanto casal, e que incide sobre a solidão, em várias vertentes, como a de Jacinta, a mãe, que teme ter perdido a sua filha com a escolha do marido e sente tanta falta da cidade onde viveu; e a de Wayne/Annabel, sozinho num mundo que prevê a distinção entre masculino e feminino.
Nem sempre as escolhas que os outros tomam por nós revelam as melhores consequências mas, no fundo, até que ponto a sociedade estaria preparada para aceitar alguém que não é homem, nem mulher, mas ambos? Somos habituados a catalogar o que é "de menino" e o que "de menina" desde cedo, a distinguir branco de preto. O cinzento nem sempre é aceite.
"Annabel" merece 5 estrelas.

Sinopse