sábado, 20 de abril de 2013

"A Dança das Borboletas", Poppy Adams

Este foi um livro que mereceu 3 estrelas "goodreadianas" porque, apesar de até ter gostado da história e do estilo da escritora, não encheu as medidas. Mas tenho pena.
"A Dança das Borboletas" é narrado por Ginny, uma antiga lepidóptera, que  recebe a visita da irmã, Vivien, ao fim de 47 anos. Entre o presente e o passado, Ginny conta espisódios acerca da infância e do início da idade adulta das duas  irmãs e expõe o seu reencontro. Ao fim de uns bons capítulos, conhecemos realmente a família Stone, que não é tão funcional quanto aparenta... Até que ponto o amor é uma boa desculpa para as acções deles? Até que ponto as memórias de Ginny são as correctas? A protagonista é uma velhota um tanto especial, obcecada pelas horas e pelo comportamento das suas amadas traças, mas apesar da sua inteligência, tem dificuldade em compreender os comportamentos humanos (o que leva o leitor a diagnosticar algo) e prefere isolar-se na sua mansão.
Ao longo do livro a quantidade de pormenores acerca do estudo das traças revela o gosto da protagonista pela profissão, mas pode tornar-se entendiante. De qualquer forma, não foi o que me demoveu. Há um certo "suspense" que envolve os segredos dos Stone e o regresso de Vivien que me impeliu a ler o livro, mas não me entusiasmou como esperava. Achei, até, que o final foi um "anti-clímax".



Sinopse


sexta-feira, 5 de abril de 2013

"Celestial", Cynthia Hand

Esta Primavera promete. "Celestial" surpreendeu-me pela positiva. Precisava de um leitura mais levezita depois da leitura anterior, mas este romance mostrou-se uma leitura bem emotiva. "Comovente"? Sim, é.
Há elementos típicos de um livro de adolescentes, o que me fez ter pena de não ter 15 anos outra vez para achar o livro "o máximo" - o rapaz giraço; a miuda nova misteriosa; a má do sítio, um Baile de Finalistas - e dispensava um desmaio e tanto brilho, que me lembraram um certo e determinado "infame" romance fantástico Cujo Título Não Pronunciarei.
No entanto, perdoa-se. Achei o triângulo amoroso plausível, já que as personagens se aproximam a pouco e pouco, e a tensão entre eles é bem descrita. A própria protagonista, Clara, é apresentada como uma rapariga que pretende ser normal, nem demasiado perfeita, nem desastrada ao ponto de chocar com as cadeiras e, perto do final, as suas dúvidas tornam-se comoventes.
É viciante - nem havia "palha" a empatar! - e gostei do estilo de escrita. Foi um daqueles casos em que tinha pena de o fechar para ir dormir. Estou curiosa em relação aos proximos livros da trilogia.

 
Sinopse


 P.S.: Quem quiser dar uma vista de olhos no site de Cynthia Hand - e espreitar a sinopse do segundo livro - clique aqui.

terça-feira, 2 de abril de 2013

"O Nome da Rosa", Umberto Eco

O melhor adjectivo para descrever este livro será "monumental". E não estava à espera de o considerar assim. Confesso: tinha medo de o ler. Um romance histórico-policial escrito por um filósofo? Brrr
No entanto lê-se bem, apesar de ser necessária uma dose de paciência para certas passagens. E muita atenção para acompanhar as explicações acerca das seitas heréticas e as diferenças entre ordens da Igreja.
O enredo é cativante. Mortes misteriosas na abadia; comportamentos pouco ortodoxos da parte dos monges; a tensão no ar que se sente com a chegada das delegações que debatem a pregação dos Franciscanos (que defendiam o voto de pobreza da Igreja, o que não seria propriamente do agrado da própria); e uma biblioteca labiríntica dão o mote para uma aventura que Adso conta já com uma idade avançada. Durante setes dias, sete mortes ocorrem, com pormenores que recordam os sinais do Apocalipse. Quem será o assassino? Os monges que povoam a Abadia são curiosos e, por vezes, parecem ambíguos. Pelo meio, há temas como a homossexualidade, a luxúria - para além da sexual -  e o riso (sim, o riso) que dão que falar.
Gostei dos protagonistas. Guilherme de Baskerville, ex-inquisidor, tem uma mente dedutiva brilhante (e um gosto por mascar um certo tipo de erva), e Adso mostra a curiosidade e a ansiedade típicas de um adolescente, algo que o vai marcar.
"O Nome da Rosa" é também, à sua maneira, um livro sobre livros. Livros escondidos que não são acessíveis a qualquer um, porque, o "conhecimento" não era para qualquer um, e havia tomos bem "perigosos". Era limitado por aqueles que o detinham (deixou-me a pensar no quão sortudos hoje somos neste país).
Foi, portanto, uma leitura muito interessante e proveitosa. Recomendo.
 
P.S.: Peca pela falta de tradução de frases das personagens em latim. É mesmo pena.
 
 
Sinopse

 
 
 

quinta-feira, 7 de março de 2013

"O Prisioneiro do Céu", Carlos Ruiz Zafón

Foi com alguma estranheza que comecei a ler as primeiras linhas do "O Prisioneiro do Céu". Um Daniel acomodado na vida e sem a curiosidade aguçada e um Férmin aterrorizado não seriam o usual. Mas foi com uma dose de adrenalina que o terminei!
Sem querer debitar "spoilers", digo apenas que, mais um vez, é um livro que fica na memória.
Ata pontas soltas e desvenda antigas "amizades" em que não teria pensado antes; há um mudança de atitude do bom Daniel que é quase assustadora (Cof Cof) e é um regresso esperado àquela Barcelona misteriosa e ao tão afamado Cemitério dos Livros.
Só peca num pormenor: o número de páginas. Queria mais pormenores e mais páginas - que final abrupto! Deixou-me de ressaca...
 
P.S.: Consta que há mais um volume prestes a vir à luz do dia. Cá o aguardo.
 
 
Sinopse:
 
Barcelona, 1957. Daniel Sempere e o amigo Fermín, os heróis de A Sombra do Vento, regressam à aventura, para enfrentar o maior desafio das suas vidas. Quando tudo lhes começava a sorrir, uma inquietante personagem visita a livraria de Sempere e ameaça revelar um terrível segredo, enterrado há duas décadas na obscura memória da cidade. Ao conhecer a verdade, Daniel vai concluir que o seu destino o arrasta inexoravelmente a confrontar-se com a maior das sombras: a que está a crescer dentro de si.

Transbordante de intriga e de emoção, O Prisioneiro do Céu é um romance magistral, que o vai emocionar como da primeira vez, onde os fios de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo convergem através do feitiço da literatura e nos conduzem ao enigma que se esconde no coração de o Cemitério dos Livros Esquecidos.
 
Edição/reimpressão:
Páginas: 400
Editor: Editorial Planeta
ISBN: 9789896573003

sexta-feira, 1 de março de 2013

"Bons Augúrios", Neil Gaiman e Terry Pratchett

Mas que boas gargalhadas dei com este livro! O Apocalipse não é o meu tema preferido, mas ainda bem que acabei por aceitar lê-lo. Tenho que agradecer o empréstimo.
Em "Bons Augúrios" um demónio, Crowley, que não é assim tão mau - apenas andava com más companhias -  e o seu amigo Aziráfalo, um anjo não tão bonzinho quanto isso, decidem sabotar o Armagedão, até porque gostam bastante de viver no mundo. Ora, logo por acaso, um  freira satânica se tinha enganado e entregue o bebé anti-cristo à família errada. Seria o destino, afinal?
Nos ultimos dias do mundo, Adão (o filho do Lá-de-Baixo) e o seu grupo de amiguinhos (com quem forma os quatro filosóficos Eles) brincam "inocentemente" enquanto os quatro "Cavaleiros" do Apocalipse - e dois caçadores de bruxas ditos profissionais, além da descendente da profetiza que acertava em tudo - se preparam para a batalha final.
As situações descritas chegam a ser hilariantes, bem como as próprias personagens, caracterizadas de forma muito vincada. Foi um daqueles casos em que tive gosto em ler, não só pelo enredo - por muito que me preocupasse o destino de Crowley -, mas sim para saber qual o insólito que se seguia - se é que me faço entender.
Gostei muito. É divertido, satírico, e até me deixou a pensar na natureza do Bem e do Mal.
De Neil Gaiman já tinha lido "Neverwhere", que tinha personagens e situações - como telefones sem aparente funcionamento que afinal funcionam- também tão loucas que ficaram na memória até hoje, e agora posso dizer/escrever que me estou a tornar fã deste senhor.
 
Boa viagem!
 
 
Sinopse:
 
Este é o livro mais divertido alguma vez escrito sobre o Armagedão. Não vale a pena reler esta última frase, caro leitor, foi mesmo isso que se quis dizer. «Mas como é que um livro sobre o fim do mundo pode, de algum modo, ser cómico?» Ora aí é que está, caríssimo leitor, a explicação é óbvia - esta obra foi escrita por dois dos mais geniais autores de fantasy da actualidade. Ao sabor das suas endiabradas penas, até o mais inverosímil pode assumir a aparência de algo plausível! Neil Gaiman e Terry Pratchett criaram um texto que, ao fundir a fantasia e a comédia, resulta absolutamente jocoso, satírico inventivo e cheio de sabedoria. Desde o início dos tempos que Ele (Deus, o Diabo ou ambos em co-autoria conspiratória) haviam planeado o Armagedão, a Derradeira Batalha entre o Bem e o Mal, o fim do mundo tal como o conhecemos. E havia séculos que os demónios (e os anjos?) trabalhavam nesse sentido. Era chegada a hora! Faziam-se agora os últimos preparativos e tudo se ajustava para a hecatombe final. Mas os desígnios de Deus (e do Diabo?) são, como se sabe, insondáveis e, vá-se lá saber porquê, uma pequena distracção, uma simples troca de bebés, coloca o recém-nascido Anticristo na família errada e voilà! tudo corre mal! Por serem todos grandes apreciadores dos prazeres terrenos, os representantes do Céu e do Inferno, os Quatro Cavaleiros (leia-se Motoqueiros) do Apocalipse e o próprio Anticristo decidem, pasme-se, tomar as rédeas dos acontecimentos e sabotar o Armagedão! O resultado já o leitor pode imaginar - uma leitura deliciosa que nos leva às lágrimas através de um riso de proporções apocalípticas. Diabolicamente hilariante.

Páginas: 380
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722332804



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Selo Literário 2013


 
Há uns dias atrás fui contemplada com este selinho pela Jojo. Obrigada e continuação de boas leituras!
 
As regras são as seguintes:
 
1. Indicar um mínimo de dois livros que gostei de ler em 2012 (sem limite máximo);
2. Indicar pelo menos três livros que desejo ler em 2013 (sem limite máximo);
3. Indicar o nome e o link de quem ofereceu o selo;
Oferecer o selo a mais 10 pessoas para dar sequência a este projecto de incentivo à leitura.
1. Livros  que gostei de ler em 2012:
 
"A Casa dos Amores Impossíveis", de Cristina López Barrio;
A trilogia "1Q84", de Haruki Murakami;
"As Serviçais", de Kathryn Stockett;
"O Tigre Branco", de Aravind Adiga, para além de mais alguns títulos que "caíram no goto"
 
2. Os três livros que desejo ler em 2013:
 
Este ano a lista de prioridades aponta para "O Monte dos Vendavais", de Emily Bronte; o "Prisioneiro do Céu", de Carlos Ruiz Zafon (ai, que medo da desilusão) e "Firmin", de Sam Savage (que me parece delicioso).
 
Ofereço o selo aos seguintes blogs:
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 




segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

"A Marca de Kushiel", Jacqueline Carey

O segundo volume da Série Kushiel conseguiu ser ainda melhor que o primeiro. Bem, para já, estava mais familiarizada com aquele mundo baseado na Europa antiga e assente numa mitologia algo diferente, e estava com uma boa dose de paciência para decorar os nomes das personagens - a fidalguia d'Angeline é tão bela e delicada que requer um exercício de memória lembrar quem é loiro e quem cortou o cabelo, e quem era aliado de Delaunay (ou não). Além disso, a história é empolgante, com uma teia de intrigas, e narrada de uma forma bonita, bem ao meu gosto.
Phèdre e Joscelin, entregues como escravos aos Skaldi, desvendam a conspiração que põe em perigo Terre d'Ange e mais não posso dizer. O que é certo, é que não há tempos mortos e mantém-se a expectativa se conseguirão cumprir a missão.
Nesta série tenho é pena de que as personagens não estejam mais estruturadas, mas há indícios de personalidade e de luta de valores, que se tornam sempre interessantes. É o caso de Hyacinthe, preocupado em ser aceite pela família, ou Joscelin, dividido entre o seu compromisso como Cassiline (guerreiros mortais e.. celibatários) e o coração. Phèdre é a típica protagonista a quem ninguém resiste. Isto podia ser um ponto negativo. Felizmente até dá jeito que assim seja na história, ou seria difícil resolver certas coisas, mas fez-me confusão que "ame" tanta gente. Rapariga honrada e dona de um grande coração? Sim, pelos vistos...
Seja como for, gostei bastante d"A Marca de Kushiel" e fico com vontade de continuar a seguir esta série.
 
P.S.: Não percebo a escolha da capa. É feia. Mostra o desespero da protagonista, mas é à parte isso, não tem qualquer ligação com a história. E a caveira não lembra a ninguém. Dá uma ideia mais gótica do que a série Kushiel realmente é.
 
Boa viagem!
 
 
Sinopse:
 
Para trás ficaram Terre d’Ange e as intrigas palacianas, a Corte das Flores da Noite, os amados Delaunay e Alcuin, os amigos, patronos e tudo o que para Phèdre evoca a palavra "casa"… Para trás ficaram também a herdade e a familiaridade da sua ternura tosca, a gentileza das suas mulheres e a beleza das suas cantigas…
Diante de Phèdre abre-se agora a incógnita de um destino de cativeiro às mãos do cruel Waldemar Selig, no ambiente hostil da sua herdade e das suas gentes… O desvendar da ameaça que paira sobre Terre d’Ange, dos planos de um poderoso comandante e dos traidores d’Angelines.
Pela pena de Phèdre, afrontamos o Mais Amargo Inverno através da vastidão skáldica. O retorno a Terre d’Ange e a oportunidade de salvar tudo o que lhe é mais querido.
Traição, guerra, desafio, imolação, amor e redenção. Logrará Phèdre fazer jus à Marca de Kushiel e concretizar esse sonho tão ansiado?
 
Edição/reimpressão:
Páginas: 416
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896372200

 

domingo, 13 de janeiro de 2013

"O Aroma das Especiarias", Joanne Harris

Acabar de ler "O Aroma das Especiarias" não me deixou com aquele descanso que costumo sentir ao terminar uma trilogia, bem pelo contrário! Conseguiu deixar-me ansiosa e com mais perguntas. "Acabou mesmo? Não, não pode... A sério, Joanne?"
Não o considerei uma conclusão da série "Chocolate", - se é que algum dia poderá existir uma "conclusão"  com personagens tão promissoras - mas sim mais uma viagem até àquele mundo superstiscioso, onde os amigos imaginários pulam à nossa frente e o vento comanda a vida.
Vianne Rocher e as filhas regressam a Lansquenet ao receberem uma carta misteriosa e encontram mudanças, não só nas próprias pessoas, como na aldeia: há uma comunidade islâmica do outro lado do rio, uma comunidade que apesar das diferenças é um espelho - um outro Reynaud, uma outra Armande, uma Mulher de Preto...
Em relação aos outros livros da série este é mais cru, exactamente por pegar muito na realidade. As diferenças óbvias entre as culturas são um tema da França dos dias de hoje e o ódio que por vezes emerge em tais casos é tratado ao longo da história. A violência sobre as mulheres, de que Joséphine já tinha sido alvo, volta a ser falada. O perigo, a violência, são reais.
De qualquer forma, elementos como a magia da comida e as palavras que apelam aos sentidos, tão próprias de Joanne Harris, continuam neste "O Aroma das Especiarias", não provocando nenhuma desilusão. Mas quero mais!

Boa viagem!

 

Sinopse:
 
Vianne Rocher recebe uma estranha carta. A mão do destino parece estar a empurrá-la de volta a Lansquenet-sur-Tannes, a aldeia de Chocolate, onde decidira nunca mais voltar. Passaram já 8 anos mas as memórias da sua mágica chocolataria La Céleste Praline são ainda intensas.

A viver tranquilamente em Paris com o seu grande amor, Roux, e as duas filhas, Vianne quebra a promessa que fizera a si própria e decide visitar a aldeia no Sul de França. À primeira vista, tudo parece igual. As ruas de calçada, as pequenas lojas e casinhas pitorescas… Mas Vianne pressente que algo se agita por detrás daquela aparente serenidade. O ar está impregnado dos aromas exóticos das especiarias e do chá de menta.

Mulheres vestidas de negro passam fugazes nas vielas. Os ventos do Ramadão trouxeram consigo uma comunidade muçulmana e, com ela, a tão temida mudança. Mas é com a chegada de uma misteriosa mulher, velada e acompanhada pela filha, que as tensões no seio da pequena comunidade aumentam. E Vianne percebe que a sua estadia não vai ser tão curta quanto pensava. A sua magia é mais necessária do que nunca!
 
Edição/reimpressão:
Páginas: 496
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892320106