terça-feira, 16 de outubro de 2012

"O Tigre Branco", Aravind Adiga


"O Tigre Branco" é uma pérola. O vencedor do "Man Booker Prize" de 2008 trata-se de uma comédia negra que revela o lado sombrio da Índia, as desigualdades socioculturais e ataca costumes e tradições da forma mais cómica possível.
Balram, um rapaz que cresceu sem nome (porque ninguém tinha tempo para lho dar) é um "tigre branco", uma criança diferente na sua aldeia, que se torna um empresário de sucesso. É na carta que redige ao primeiro-ministro da China que relata a sua escalada e a sua revolta, considerando-se um exemplo de empresário. No fundo, o "tigre branco" é uma personagem com um olho clínico para analisar a sociedade que o rodeia, mas com uma moral duvidosa. Quase culpa os pobres pela sua própria pobreza, e, tendo sempre em conta a sua ascensão social, depressa esquece o dever para com a família.
É um livro que revela o fosso entre ricos e pobres do país - que começa a imiscuir-se no Ocidente - onde o próprio sistema de castas foi adulterado; a relação entre criados e patrões; as diferenças "raciais" e religiosas - ou não considerasse os brancos uma raça em declínio e os muçulmanos gente estranha, que gosta de rebentar comboios. É a crítica a uma dita "democracia" aparente e a um sistema judicial que não funciona.
"O Tigre Branco" é irónico e profundo como só a crítica social pode ser, e fez-me rir com coisas para chorar. É bom. Muito bom. 







Sinopse:
O Tigre Branco arrebatou por unanimidade o Man Prémio Booker Prize de 2008, um dos mais prestigiados galardões literários a nível mundial. Ainda antes da sua nomeação para o prémio, O Tigre Branco era já apontado como um dos melhores romances do ano e Aravinda Adiga como uma grande revelação e um extraordinário romancista. A shortlist para o Booker era composta por candidatos muito fortes, muito embora O Tigre Branco tenha conquistado o júri a uma só voz. Romance de estreia, entrou de imediato nas preferências dos críticos, que o classificaram como "uma estreia brilhante e extraordinária". O livro revela uma Índia ainda muito pouco explorada pela ficção, a Índia negra, violenta e exuberante das desigualdades socioculturais. Toda a obra é uma longa carta dirigida ao Primeiro-Ministro chinês, escrita ao longo de sete noites. O autor da carta apresenta-se como o tigre branco do título, e auto-denomina-se um "empreendedor social". Descrevendo a sua notável ascensão de pobre aldeão a empresário e empreendedor social, o autor da carta, Balram, acaba por fazer uma denúncia mordaz das injustiças e peculiaridades da sociedade indiana. Fica assim feito o retrato de uma sociedade brutal, impiedosa, em que as injustiças se perpetuam geração após geração, como uma ladainha que se entoa incessantemente ao ritmo de uma roda de orações. São muito poucos os animais que conseguem abrir um buraco na vedação e escapar ao destino do cárcere eterno. O Tigre Branco é um deles. 



Edição/reimpressão:
Páginas:248
Editor:Editorial Presença
ISBN:9789722341004


7 comentários:

  1. É um livro que me suscita interesse mas, por uma razão ou outra tenho vindo a adiar a sua leitura. Tenho ver se o consigo adquirir:)

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  2. Estou para o ler há algum tempo, pode ser que agora com a tua crítica me inspire a começar :D

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    1. Óptimo, Liliana! Sinto-me lisonjeada :D

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  3. Respostas
    1. ;D tu bem dizias e percebo porquê

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    2. quero os outros dois dele! vou fazer uma poupança para isso :P

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