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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

"A Casa de Gaian", Anne Bishop

E eis que li o livro final da trilogia de "Os Pilares do Mundo"! Se por um lado estou orgulhosa de finalmente ter lido uma trilogia completa da autora, por outro sinto-me triste. Não vou voltar àquele mundo, nem àquelas personagens como Ashk e Morag (ohh, Morag!) que vão deixar saudades...

De qualquer forma, para um último livro de trilogia, este "A Casa de Gaian" foi excelente. São apresentadas mais personagens novas, como Selena e Rhyan, que finalmente levantam o véu sobre os poderes da Casa de Gaian e a origem dos povos. Ao mesmo tempo, foi difícil deixar de manter o coração nas mãos: o Inquisidor-Mor pode ter um novo truque na manga, e Lucian e Diana revelam o que de pior os Fae podem ter. Ainda para mais, o Dom da Senhora da Lua vai ser desafiado; Ashk vai mostrar do que o Caçador é capaz e a Ceifeira está mais focada na batalha do nunca.
Foi um volume cheio de acção, mesmo que permeado por cenas domésticas ternurentas com o seu quê de comic relief, e seguir as personagens até aos últimos confrontos foi trepidante.
Adorei o enredo - ainda para mais com a técnica de foreshadowing aplicada pela autora, que consegue criar tensão, já que percebemos certos pormenores antes das próprias personagens - e adorei a explicação sobre as origens dos povos, que nos mostra o quão errados todos estavam no início. 
E, mais uma vez, adorei os temas que continuam a ser tratados nestes livros, ou seja, o ódio e o fanatismo, contrapostos pela bondade e pela tolerância.


Sou suspeita, mas recomendo a leitura da trilogia.

Sinopse

Já leram? Qual é a vossa opinião?
Boas leituras!

Leituras relacionadas:

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

TAG | Book Adaptation Wishlist

Vi esta TAG no canal Problems of a Book Nerd e não lhe resisti. Foi criada no She Might Be Monica e é sobre os livros que gostaríamos de ver adaptados a outros seis formatos. 
É claro que quando me apercebo que um livro é adaptado ao cinema fico sempre com algum receio de o ver. Quem nunca se enervou por retirarem cenas que achamos essenciais à história ou por alterarem personagens? Vou então imaginar que tenho todo o poder sobre o processo...

1. Filme: "O Indesejado", de Sarah Waters

Adorei este livro e acho que merecia chegar a mais leitores. Porque não uma adaptação cinematográfica?
Podiam pedir uma "mãozinha" ao James Wan (realizador de "The Conjuring" e "Saw") para aumentar a tensão visual nas cenas de maior suspense,  e, se não fosse pedir muito, distribuir os papéis principais desta forma:

 
Michael Fassbender como "Dr. Faraday"


Emma Watson como "Caroline Ayres"


Jamie Bell como "Roderick Ayres"

Elizabeth McGovern como "Mrs. Ayres"


Elle Fanning como "Betty"

2. Série: Trilogia "Os Pilares do Mundo", Anne Bishop

O último livro é a minha leitura do momento e estou de tal modo a adorar que não me importava nada de saber se alguém gostaria de a adaptar para uma série.
Tal como imagino o ambiente dos livros, seria um trabalho digno do Guillermo del Toro ("Hellboy", "O Labirinto do Fauno", "Crimson Peak"), que consegue realizar fantasia de uma forma tão "orgânica" e natural. E giro, giro, era ver "Lady Ashk" protagonizada por Sigourney Weaver, tal como a imagino.

Sigourney Weaver, para oferecer uma adaptação badass como "Ashk" merece

Mas como as questões etárias são tão discutidas - e me parece que preferem envelhecer alguém a rejuvenescê-lo no ecrã - o papel também não ficaria nada mal entregue a Eva Green, que tem ferocidade mais do que suficiente para ele.

Eva Green, como potencial "Lady Ashk"
 Parte do "cast" poderia ser:

Jennie Jacques, como "Ari"


Krysten Ritter, como "Morag, a Ceifeira"

Alyssa Sutherland, como "Diana, a Caçadora"

Alycia Debnam Carey, como Breanna


Saoirce Ronan, como "Selena"

3. Cartoon: "Kafka à Beira Mar, de Haruki Murakami

Não sou a maior fã de "cartoons" ou de séries animadas, mas se adptassem "Kafka à Beira Mar" a uma animação com o seu quê de nipónico, eu via e com gosto.

4: Graphic Novel/ Comic Series: "O Circo dos Sonhos", Erin Morgenstein

Este é outro género que gostava de começar a acompanhar. Por acaso, as adaptações não me costumam chamar a atenção, mas acho que se fosse o caso de "O Circo dos Sonhos" adquiriria um exemplar assim que pudesse. Principalmente se mantivessem a estética das descrições do circo, com o preto e branco em destaque, com alguns apontamentos vermelhos. Quem sabe...
 

5. Peça: Espera de Bojangles", Olivier Bourdeaut
Aquele que foi um dos livros "mencionáveis" do ano passado ficaria bastante bem em palco. Não sei como conseguiriam manter uma "Menina sem Préstimo" calma, mas imaginem as horas bem passadas que teríamos com a história daquele "amor louco" a desenrolar-se a poucos metros de nós, sob a voz encantatória do narrador.

6: Musical: "1984", George Orwell


Imaginem só a estética suja e propagandista que  o musical teria! Imaginem só as canções que se poderiam criar. Canções sobre os "momentos do ódio"; sobre as dúvidas de "Winston Smith" e, claro, até aquela canção que ouve na casa que aluga. Ia ser um exercício interessante para alguém adaptar este "aviso", e não me importava nada de o ver.

E pronto, aqui vos deixo as minhas respostas. Já sabem, estão todos desafiados. Deixem-me saber se concordam com as minhas escolhas, ou quais seriam as vossas.

Boas leituras!   

terça-feira, 16 de junho de 2015

"Luz e Sombras", Anne Bishop

A minha opinião sobre o segundo volume da trilogia "Os Pilares do Mundo", de Anne Bishop, é suspeita. Muito. Adorei conhecer este universo e "Luz e Sombras" veio destacar as particularidades que tanto me atraíram.
AVISO: SPOILERS AO PRIMEIRO LIVRO VÃO ESTAR PRESENTES
 NOS PRÓXIMOS PARÁGRAFOS!
Neste volume conhecemos melhor os Fae do ocidente, que têm uma mentalidade diferente dos irmãos das outras regiões. Somos também aproximados de personagens já conhecidas, como o Bardo e a Musa, que viajam para alertar sobre o perigo que os portadores de magia correm, e Ashk, a Senhora da Floresta, que tem um papel mais vincado. Da mesma forma conhecemos personagens novas bem promissoras, como o jovem Barão Liam e a meia-irmã, Breanna, ou Padrick.
O Inquisidor-Mor pode ter saído fragilizado em "Os Pilares do Mundo", mas mantém a crueldade que o caracteriza ao ponto de todas as mulheres puderem ser vítimas de novas formas de "controlo" desenvolvidas pelos Mantos Negros. É que as mulheres, pelos vistos, têm de ser "mantidas no seu lugar", segundo Adolfo...

Neste livro, a noção de luz e sombra, de vida e morte está sempre presente. Concede mais explicações sobre os habitantes do universo criado pela autora; mantém o tom de perigo, mas achei que traz poucos desenvolvimentos para a história em si, não que tal seja negativo. É o recuperar de fôlego do primeiro livro e o aquecimento para o último volume. Deixou as minhas expectativas muito elevadas para o próximo...
No livro mantém-se também a preocupação que tem sido demonstrada acerca do papel da mulher na sociedade e do respeito pelas forças da Natureza. Notei também uma melhoria em relação às personagens, com Lucien e Diana, os egoístas, postos de lado por agora.. Senti-me próxima da maioria, já que se notavam as suas emoções, como a melancolia e a solidão de Morag, a impetuosidade de Breana, a força perigosa de Ashk, e há situações - e relações - ternurentas.
Foi um livro que encheu as medidas e espero gostar tanto do último.
Já leram esta trilogia?

Boas viagens à lareira!
Sinopse
 


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

"Os Pilares do Mundo", Anne Bishop


Antes de mais deixem-me avisar que tenho uma relação de amor-ódio com os romances de Anne Bishop. A sinopse pisca-me sempre o olho, acabo por comprar o primeiro da trilogia, acho piada ao mundo/reino onde a acção se desenrola, adoro a forma como a autora consegue criar uma atmosfera própria, mas as personagens não me cativam o suficiente para continuar a ler os outros livros.
Acho que é agora que tenho de me esconder atrás do muro antes de se apedrejada… Perdoem-me fãs das personagens da Anne Bishop!
Foi com algum receio que comecei a ler os "Pilares do Mundo". Ainda por cima parecia que ia encontrar algumas semelhanças com o ciclo "As Brumas de Avalon" criado pela querida Marion Zimmer Bradley – ah, que saudades da Morgaine! – já que abordava o sagrado feminino e o respeito pela natureza.
Adorei a atmosfera do livro e o universo criado, claro, mas demorei algum tempo até me entusiasmar realmente com a leitura. Primeiro não estava a ver onde é que a linha de acção iria levar. Fomos apresentados à maldade do Inquisidor-Mor, que não quer deixar nenhuma bruxa (ou nenhuma mulher) viva nesta terra e aos Fae, os Senhores que comandam forças e animais (ou melhor dizendo, uns tipos arrogantes que vivem descansados em Tir Alain e só visitam a terra para comer/ter aventuras com alguma tipa que se cruza pelo caminho e só se preocupam quando o seu adorado mundo começa a desaparecer - literalmente). E somos apresentados à querida protagonista, Ari, uma bruxa simpática que é mal vista na aldeia e teve um “crush” pelo tipo erradíssimo.
Quando Lucien, o Senhor do Fogo Fae, entrou em cena revirei muitas vezes os olhos e, pela primeira vez, adorei que existisse um triângulo amoroso. Odiei a arrogância de Lucien...
A minha personagem favorita acabou por ser a Ceifeira, uma Fae adorável que é vista pelos outros sempre com algum receio, ou não estivesse responsável por colher as almas. É uma personagem curiosa e arguta e acho que influenciou parte da minha opinião positiva do livro.
No entanto, li-o com muito gosto. Foi fantástico descobrir que ligação havia entre Fae e bruxas, ou entre outras personagens. Houve revelações que me apanharam de surpresa.
Além disso, apresenta-nos mais um Reino fantástico criado por Anne Bishop, onde ainda há quem saiba que a Mãe Terra merece ser respeitada, que somos todos filhos dela. Tem umas boas mensagens não só sobre o sagrado feminino, como até sobre ecologia. Mais uma vez a autora perpassou alguma da nossa realidade para lá, deste o desrespeito pela natureza ao desrespeito pela mulher. A mulher que no livro é apontada pelo Inquisidor como fraca, pouco inteligente, apenas um objecto a ser manuseado pelo homem; a mulher apontada como um ser dado à luxúria para tirar o homem do seu bom caminho; como um ser susceptível de ser manipulado pelo Mal. Nada que, infelizmente, não continue a ocorrer… Enfim.
Portanto, faço uma vénia a Anne Bishop pelas mensagens transmitidas no livro e pela história que me conseguiu agarrar. Esta trilogia vou ler. E talvez volte a tentar ler as outras.