quinta-feira, 18 de maio de 2017

"A Rapariga No Comboio", Paula Hawkins

Cada vez mais detesto as "expectativas". Qualquer leitor sabe como elas podem podem sabotar uma boa leitura, e neste caso, devia tê-las baixo, bem rentes, ao nível do chão. Só que não, tive de me fiar no comentário do "New York Times" e esperei ser levada de rajada como aconteceu com o "Em Parte Incerta". E esperei, e esperei. Até perceber que isso não ia acontecer, propriamente.

Neste livro, acompanhamos Rachel nas suas idas e vindas no comboio para Londres, que apanha todos os dias para sentir que ainda tem uma vida normal. É alcoólica, e não consegue deixar de pensar que a vida do casal que entrevê numa das casas à beira da linha do comboio é tão perfeita como a que ela levava, umas casas abaixo. Para além dela, conhecemos também Megan, que parece sentir-se sufocada na sua nova vida "dona-de-casa" e Anna, a nova mulher do ex-marido de Rachel, que apenas deseja que esta pare de "atormentar" a família com telefonemas e súbitos aparecimentos na rua onde vivem.
Um dia, Rachel nota algo de estranho no quintal do casal que costuma observar e, por coincidência, ou não, uma mulher é dada como desaparecida pouco tempo depois...
Bem, como podem imaginar é uma leitura com algum suspense. Para já, consegue ser um tanto sufocante, porque nenhuma das personagens é perfeita. Rachel, por exemplo, não consegue resistir à bebida para elevar o ânimo, tem perdas de memória e é, pura e simplesmente, "triste". Ainda ama Tom, o ex-marido, e fica quase obcecada com o desaparecimento da mulher, o que a leva a situações no limiar da humilhação. É de levar as mãos à cabeça. No caso das outras personagens, somos levados a pouco e pouco até ao seu âmago e também não é o mais bonito.
Através delas temos também acesso a diferentes perspectivas do mesmo acontecimento, o que achei interessante. 

É um livro onde vemos segredos bem negros e mentiras prestes a desgastar a sanidade de uma personagem, o que para mim lhe deu a roupagem que se pede num "thriller". Nem sempre o exterior revela o interior, não é assim?
Apesar de ser um pouco lento no início, a segunda parte conseguiu "viciar-me" para desvendar o mistério, mas...
Não quero parecer esquisita, mas, primeiro, "aquela" estrutura não funcionou comigo. Gosto de ser lançada para um texto fluído, e neste caso cada cena das personagens está dividida em dias. E cada dia, em "manhã" e "tarde", onde a personagem nos leva a perceber o que se passou entretanto. Ou seja, tive a sensação de que  li aos solavancos, de que era constantemente interrompida, quando o que queria era continuar a ler com fluidez.
Além disso, se por um lado gostei do mistério para poder colocar várias hipóteses, como se Paula Hawkins fosse Agatha Christie renascida, por outro foi um pouco... previsível. Estava à espera de um alto "twist", e não o consegui tomar como tal. Ainda assim, o tom do final redimiu-me o livro no todo. Um pouco.
Portanto, gostei, mas não "adorei", como esperava. É um livro com temas pouco ou nada leves - vou abster-me de escrever "perturbadores" para não levar ninguém em erro, apesar de um deles o ser para mim -; e com personagens verossímeis que "mexeram" comigo.
Tive pena, mas decepcionei-me um pouco e não senti aquele "frisson" que acompanha a leitura de um livro que não queremos que acabe, ao mesmo tempo que queremos saber o desfecho.


Sinopse

E vocês, já leram "A Rapariga no Comboio"? Qual é a vossa opinião?
Por acaso, continuo curiosa com o novo livro da autora, nem que seja para perceber se houve evolução, e, sem dúvida que quero ler  mais thrillers psicológicos. Aceito recomendações!

Boas leituras!

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Divulgação | Novidades Guerra e Paz já disponíveis


Viagens na Minha Terra
Almeida Garrett
15x23
280 páginas
14,00 €
Ficção/Literatura Portuguesa
Nas livrarias a 17 de Maio
Guerra e Paz Editores

Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett, inaugura um novo estilo que introduz a coloquialidade da escrita num Portugal ainda muito arreigado aos formalismos clássicos. Originalmente publicado em folhetins na Revista Universal Lisbonense, entre 1843 e 1846, este livro lança a dúvida: será um relato de uma viagem de Lisboa a Santarém ou a história do romance de Carlos e Joaninha? O livro de Almeida Garrett integra a colecção de Clássicos da Guerra e Paz a partir de 17 de Maio. 

Obra de uma figura de incomparável talento na literatura portuguesa e um dos nossos mais geniais escritores, Viagens na Minha Terra é a combinação perfeita entre o género digressivo e o estilo novelesco, num surpreendente registo coloquial. Com fixação de texto de Ana Castro Salgado, esta edição inclui ilustrações de Manuel de Macedo e Roque Gameiro. 
A viagem de Lisboa a Santarém, a convite de Passos Manuel, acaba por ser o pre­texto para um conjunto de divagações e reflexões filosóficas, ideológicas, políticas e sentimentais, em tom crítico e pedagó­gico, a respeito de questões nacionais, da marcha do progresso ou estado da civilização. Sabendo como captar a atenção do leitor, Garrett entra pela literatura e filosofia clássica e euro­peia de então e critica o materialismo reinante na sociedade. Um livro actualíssimo.


Jesus e as Mulheres
Enzo Bianchi
15x23
144 páginas
Não Ficção / Religião
14,50 €
Guerra e Paz Editores
«Levanta-te, levanta a tua cabeça, fica em pé, e não fiques uma mulher encurvada», foi o que Jesus Cristo disse à mulher doente na sinagoga. É isso o que ele diz idealmente a todas as mulheres. Em todos os momentos e em todos os lugares. É o que defende o prior Enzo Bianchi em Jesus e as Mulheres, um livro que chega às livrarias a 17 de Maio. Este é um livro para acabar de vez com a submissão da mulher, com histórias que lançam uma polémica: terá a Igreja medo das mulheres?
Enzo Bianchi, prior e fundador da Comunidade Monástica de Bose, em Itália, foi nomeado pelo Papa Francisco como consultor pontifício do Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Neste livro, o autor entrega o protagonismo às mulheres que se cruzaram com Jesus Cristo: as irmãs Maria e Marta, a mulher adúltera, Maria Madalena e a história da mulher com hemorragia uterina que tem coragem de tocar Jesus. Como é que estas mulheres se cruzaram com Jesus e que experiências e lições se podem tirar destes encontros? Jesus e as Mulheres é um livro de reconciliação, que ensina a caminhar na diversidade.

 Romeu e Julieta
William Shakespeare
Adaptação Ana Almeida
14x20,5
152 páginas
13,90 €
Nas livrarias a 17 de Maio
Guerra e Paz Editores

Será esta a adaptação mais louca de sempre de Romeu e Julieta? Todos sabemos, lemos (ou pelo menos ouvimos falar) da peça de William Shakespeare. Agora, na colecção Os Livros Estão Loucos, adaptado por Ana Almeida, compreendemos que é aqui que ganha sentido a palavra romance. Os protagonistas, Romeu e Julieta são jovens, bonitos e amam-se. Mas as famílias odeiam-se. Uma tragédia em que a paixão fala mais alto. A história que, ao longo dos séculos, tem encantado gerações. Está agora no formato mais irreverente de sempre. Feita expressamente para atrair e encantar os jovens portugueses dos nove anos em diante. UM livro que é uma experiência visual também: com cores, imagens e um grafismo irreverente.
De forma resumida e adaptada aos dias de hoje, Romeu e Julieta veste-se com a extravagância de Os Livros Estão Loucos. Chega às livrarias a 17 de Maio.
Pode já conhecer a história de Romeu e Julieta. Mas como está contada neste livro, acredite que nunca a leu. Em muito menos palavras, com imagens loucas e com uma forma de contar que põe a cabeça a andar à roda. Nas páginas deste livro, vê-se Julieta dançar com as letras e Romeu lutar com as palavras como se fossem espadas. Vê-se nascer um amor proibido numa noite de Verão. Contra tudo e contra todos, Romeu e Julieta enfrentam a rivalidade dos Montéquio e Capuleto.


José Matias | Bartleby
Eça de Queiroz | Herman Mellville
15x20
184 páginas
15,50 €
Guerra e Paz Editores 

Chegou um novo Livro Amarelo. Este é também um livro de duas recusas. Recusa do amor físico, uma; recusa do trabalho, a outra. José Matias, admirável e bizarro conto de Eça de Queiroz, publicado em 1897, narra um anacrónico e aberrante caso de amor platónico. Bartleby, admirável e bizarro conto de Herman Melville, publicado em 1853, narra um anacrónico e aberrante caso de recusa do trabalho. Dois contos sublimes, que o professor e ensaísta Ricardo Vasconcelos aproxima no magnífico texto a que chamou «Bartleby e José Matias: Entre Duas Recusas», no novo título que chega às livrarias a 17 de Maio.
Como se pode justificar que no mesmo livro coabitem José Matias e Bartleby, logo eles, dois heróis que se obstinam em contrariar qualquer ideia de coabitação? Sucede que José Matias e a Bartleby têm um traço forte em comum. A estes nossos heróis deixou de interessar a banalidade do mundo: reservam-se para a contemplação de um mundo puro, distante e imaterial. José Matias ama a divina, e casada, Elsa e é a inacessibilidade física de Elsa que incendeia de amor José Matias. Escrivão de um advogado, Bartleby, com o seu obstinado mergulho numa inexplicável ociosidade em pleno escritório, pode parecer aos olhos das pessoas normais um «íncubo intolerável». Mas mesmo imóvel, no meio do escritório que o patrão teve de abandonar, Bartleby já não é mais do que um puro espírito.
Este é um Livro Amarelo – capa rasgada obliquamente por um cortante, faces do miolo pintadas à mão, tudo violentamente amarelo. No interior, entre os contos de Eça e de Melville, o texto de Ricardo Vasconcelos exalta-se, retrai-se e expande-se com uma lógica gráfica irreverente.
Um livro para ver, um livro para ler. Preferia não ler? Não se aceitam recusas.


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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Divulgação | Novidades Bertrand já disponíveis

Género: Literatura / Romance | Formato: 15 x 23,5 cm | N.o de páginas: 240 | Data de lançamento: 12 de maio de 2017 | PVP: € 16,60 | ISBN: 978-972-25-3378-2

Sinopse:
Maria e Mei Lin podiam ser duas pessoas diferentes. Na verdade, são duas facetas da mesma mulher. Quando Mei Lin, uma menina irreverente e com grandes sonhos, foge do convento e das freiras que a criaram, estava longe de imaginar que a sua escolha lhe revelaria a face oculta da sociedade macaense.

Uma viagem por Macau nas décadas de 40, 50 e 60 e pelas contradições da vida num território português às portas da China, no rescaldo da Segunda Guerra Mundial e da guerra sino-japonesa.

Sobre a autora: 
Isabel Valdão nasceu em Lisboa mas cresceu em Angola, tendo vivido em várias regiões antes de se fixar em Luanda. Foi analista química dos Serviços de Geologia e Minas em Luanda e secretária da revista angolana Notícia. Passou pela África do Sul e viveu vários anos em Macau, experiência que a marcou profundamente. Regressou definitivamente a Portugal em 1986. É licenciada em História da Arte e dedica-se à investigação na área da defesa e conservação do património, conservação e restauro de pintura.


Género: Moda | Tradução: Fernanda Oliveira | Formato: 17 x 24 cm | N.o de páginas: 160 | Data de lançamento: 12 de maio de 2017 | PVP: € 19,90 | ISBN: 978-972-25-3362-1

Sinopse: 
Como é que me devo vestir para um jantar com amigos em minha casa? E para um encontro com um potencial namorado?

Este guia ensina-lhe os artifícios da parisiense para criar um look com estilo em todas as situações, apenas com peças básicas. Nunca mais poderá dizer: «Não tenho nada para vestir!»

Sobre a autora: 
Inès de la Fressange é um ícone da moda. Musa da Chanel e umas das top models mais famosas a nível internacional, colaborou com diversas publicações de moda e tem a sua própria linha de roupa.


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quarta-feira, 10 de maio de 2017

"Viajante à Luz da Lua", Antal Szerb

Neste livro, acompanhamos a jornada ao longo da Itália de Mihály, um homem de negócios que foge da própria esposa durante a lua-de-mel, depois de recordar os tempos perdidos da adolescência, ao encontrar János, um velho amigo. 
Mihály tinha um grupo de amigos centrado em Támas e Éva, dois irmãos que ama ao seu próprio jeito. Aspirava a ser como Támas, um inconformista, um rebelde, que "deseja a morte" e, de certa forma, desejava Éva. Gostavam de encenar peças de teatro, onde os final preferido das suas actuações passava por morrer às mãos da rapariga, um acto que lhes mostrava um certo erotismo.
E é aqui que se centra o livro, levando-nos, tal como a Mihály, por questões como o desejo e a Morte, o outro lado da vida. 

No início, não me sentia tocada pelo livro. Tinha o seu tom de decadência, e aquele lado tragico-cómico que me impelia a ler, mas não me agarrou de imediato. Só ao deslindar o sentido dele, quase a meio, é que comecei a apreciá-lo...
As personagens têm o seu quê de peculiar, como Erzi, a esposa, uma "burguesa" que se interessou por Mihály exactamente por ele lhe parecer diferente, ou János, que sempre quis mostrar-se melhor do que o protagonista e mexe cordelinhos ao longo do enredo. O próprio Mihály é... estranho. Parece um tanto influenciável, mas à sua maneira abomina o quotidiano e o trabalho na empresa. Mostra resistência à entrada na vida adulta. É um homem infeliz, que persegue o que não pode alcançar - personificado por Éva? -, e que deseja os tempos que já decorreram. Tal como muita gente, não é verdade? Talvez "o momento" seja o único instante que importe aproveitar, como a certo ponto Mihály aprende com Waldheim, a propósito dos Etruscos...
A leitura deste "Viajante à Luz da Lua" acabou por ser aprazível, também devido ao estilo de escrita do autor, de que gostei. Szerb conseguia escrever tiradas sobre conceitos que me fizeram lê-las uma e outra vez para as apreciar e, em certos momentos, não pude deixar de compará-lo a Milan Kundera.

 
Sinopse


E vocês, já o leram? Qual é a vossa opinião?
Boas leituras!

Nota: O meu exemplar foi cedido pela editora Guerra e Paz, à qual agradeço mais uma vez pela oportunidade - e que tenho de parabenizar pelo aspecto gráfico do livro.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Divulgação | Novidades Bertrand para 5 de Maio

Género: Literatura / Thriller | Tradução: Ana Cunha Ribeiro | Formato: 17 x 24 cm | N.o de páginas: 376 | Data de lançamento: 5 de maio de 2017 | PVP: € 17,70 | ISBN: 978-972-25-3348-5

Sinopse: 
Sou estrela de cabeçalhos de jornal e de histórias assustadoras à roda da fogueira. Sou uma das quatro raparigas das susanas-de-olhos negros. A que teve sorte.

Aos 16 anos, Tessa foi encontrada num campo do Texas, quase morta e só com alguns fragmentos de memória em relação à sua chegada ali. A imprensa chama-lhe a única Susana-de-Olhos-Negros que sobreviveu a um serial killer.
O testemunho de Tessa mandou um homem para o corredor da morte. Passados 20 anos, Tessa é artista e mãe solteira. Num dia de fevereiro, abre a janela do seu quarto e depara com um magnífico canteiro de susanas-de-olhos-negros diante de si, embora se trate de flores de verão.
Será que o homem que espera a morte é inocente? E andará o serial killer atrás dela? Ou, pior ainda, da sua filha?

Sobre a autora: 
Julia Heaberlin é autora de três thrillers psicológicos de grande êxito comercial e ao nível da crítica. Muitas vezes comparada a Gillian Flynn pela qualidade da sua escrita e pelo percurso editorial com algumas semelhanças, os seus livros estão publicados numa dúzia de países. Antes de se dedicar à escrita, Julia Heaberlin foi editora de diversos jornais e recebeu vários prémios pelo seu trabalho.
Vive em Dallas com a família e está atualmente a trabalhar no seu quarto livro.


Género: Literatura / Crónicas | Formato: 15 x 23,5 cm | N.o de páginas: 232 | Data de lançamento: 28 de abril de 2017 | PVP: € 16,60 | ISBN: 978-972-25-3345-4

Sinopse: 
Serranos, caçadores e fauna vária.
Nestas crónicas da Serra da Nave, Aquilino Ribeiro descreve o camponês serrano ardiloso, orgulhoso e batalhador, que segue os ritmos do ano e da terra, vivendo da caça (por vezes furtiva), do campo, dos pequenos episódios do dia-a-dia. Lê-lo é sermos transportados para aqueles brejos e montes, para aquelas estações inclementes, para a sensualidade da Serra a pulsar de vida em nosso redor e para os dramas e alegrias das pequenas aldeias do interior de Portugal.

Sobre o autor: 
Aquilino Ribeiro nasceu na Beira Alta, concelho de Sernancelhe, no ano de 1885, e morreu em Lisboa em 1963.
Deixou uma vasta obra em que cultivou todos os géneros literários, partilhando com Fernando Pessoa, no dizer de Óscar Lopes, o primado das Letras portuguesas do século XX. Foi sócio de número da Academia das Ciências e, após o 25 de Abril, reintegrado, a título póstumo, na Biblioteca Nacional, condecorado com a Ordem da Liberdade e homenageado, aquando do seu centenário, pelo Ministério da Cultura. Em Setembro de 2007, por votação unânime da Assembleia da República, o seu corpo foi depositado no Panteão Nacional.


Género: Atualidades / Saúde Mental | Formato: 15 x 23,5 cm | N.o de páginas: 200 | Data de lançamento: 5 de maio de 2017 | PVP: € 16,60 | ISBN: 978-972-25-3412-3

Sinopse: 
Neste livro, conversam frente a frente, sem rodeios, Judite Sousa e Diogo Telles Correia: uma jornalista experiente e incisiva, sem medo de perguntar; um psiquiatra, psicoterapeuta e professor universitário, disposto a responder.
Falam de temas relacionados com a mente, o que a mantém saudável e o que a faz adoecer, enquadrando a doença (e a saúde mental) não só nos nossos genes mas também no mundo que nos rodeia.
Uma incursão profunda no campo da saúde e da doença mental onde o sofrimento não é uma anomalia, nem um obstáculo insuperável: quem precisa pode sempre encontrar ajuda porque não estamos sozinhos nas nossas dúvidas, nem nas nossas dores.

Sobre os autores: 
Judite Sousa é uma das jornalistas mais conhecidas e reconhecidas de Portugal, tendo apresentado vários programas de informação e análise política e estado presente, como enviada especial, em alguns dos acontecimentos mais marcantes dos últimos 20 anos. Começou a sua carreira na RTP, onde se destacou como apresentadora da Grande Entrevista, e veio depois a tornar-se um dos rostos da TVI, na qual desempenha o cargo de diretora-adjunta de Informação. Em 1995 recebeu o Prémio Bordalo de Jornalismo e, em 2005, foi-lhe atribuído o grau de Comendadora da Ordem de Mérito. Além de jornalista, foi docente do ISCEM e é autora de sete livros sobre temas vários, desde a reportagem à entrevista e à ficção. Comentadora atenta da atualidade, a sua experiência pessoal fê-la refletir sobre as questões da mente e da saúde mental e perceber a importância de abrir o debate ao público e estimular a sua discussão sem tabus.

Diogo Telles Correia é médico psiquiatra, psicoterapeuta, professor auxiliar com agregação da Faculdade de Medicina onde leciona Psiquiatria, Psicopatologia e História da Medicina. Dá também aulas de Psiquiatria Forense na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Assistente hospitalar no Hospital de Santa Maria e consultor na unidade de transplantes do Hospital Curry Cabral.
Nove livros publicados, dois deles para o público em geral (A Vida num Degrau e Eu Existo) e os outros técnicos, sendo manuais que coordenou recomendados em várias universidades portuguesas, brasileiras e dos PALOP. Mais de meia centena de artigos e capítulos em jornais e livros científicos nacionais e internacionais.
Vice-presidente da Associação de Psicopatologia Portuguesa, membro da direção da secção de Psiquiatria de Ligação da Associação Europeia de Psiquiatria, membro da Associação Portuguesa de Terapias Comportamental e Cognitiva (APTCC), bem como de várias outras associações científicas nacionais e internacionais.


Género: Literatura / Romance | Tradução: Ana Cunha Ribeiro | Formato: 15 x 23,5 cm | N.o de páginas: 368 | Data de lançamento: 5 de maio de 2017 | PVP: € 17,70 | ISBN: 978-972-25-3299-0

Sinopse:
Rachel e Andy conhecem-se aos oito anos na sala de espera das urgências de um hospital. Rachel é já uma veterana de hospitais, uma vez que nasceu com um problema cardíaco; Andy, apesar de pequeno, aparece sozinho com um braço partido. Depois desse encontro, julgam que nunca mais se hão de tornar a ver.
Rachel cresce num subúrbio abastado da Florida; Andy cresce numa zona pobre de Filadélfia com uma mãe solteira e um talento para a corrida. Contudo, ao longo das três décadas seguintes, Rachel e Andy hão de encontrar-se por diversas vezes.
Uma história terna e comovente acerca do crescimento e da passagem do tempo, da maneira como as pessoas se transformam, se tocam e se mudam umas às outras, e de como o amor é a verdadeira medida das nossas vidas
 
Sobre a autora:
Jennifer Weiner é autora best-seller do New York Times, com mais de uma dezena de livros publicados. Licenciada pela Universidade de Princeton, escreve na secção de opinião do New York Times. Vive em Filadélfia com a família.

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terça-feira, 2 de maio de 2017

"O Ano da Dançarina", Carla M. Soares

Se há certos livros que me compelem a ler apenas pela intriga do enredo, outros há em que tal se alia à personalidade de uma personagem. Nem sempre precisa de ser a mais corajosa, ou determinada, bem pelo contrário. Por vezes, basta-lhe ser humana, com todas as virtudes e defeitos que tal pressupõe, para me tocar, e foi este o caso.

Neste romance acompanhamos a vida dos irmãos Lopes Moreira, durante o infame ano de 1918, em particular, a de Nicolau.  Com o coração quebrado por uma dançarina, Rosalina, o jovem alistara-se no exército e fora enviado para as trincheiras, em França. Ao ser ferido é autorizado a regressar a casa, mas a recuperação não se afigura fácil, não só a nível físico, como psicológico. A experiência na guerra assombra-o. Regressa revoltado, consigo e com o mundo, afligindo a família. Para piorar o seu estado de alma tão negro, Rosalina ressurge para o atormentar, em busca de uma ligação que lhe proporcione a vida estável e desafogada que trocara por uma miragem. Enquanto isso, César divide-se entre os negócios e as noitadas, disposto a proteger o irmão mais velho, e Bernarda preocupa-se também com o próprio projecto, a revista "Nova Ideia", numa época em que uma mulher não podia votar, quanto mais ter acesso à carteira profissional de jornalista. Apoia-se na amizade de Cecília, uma jornalista de bom coração que teme que o activismo do avô, o tipógrafo Cupertino, o atire para a prisão.
Porém, naquele ano, para além da guerra e do regime ditatorial de Sidónio Pais, que tornam a vida tão instável, a gripe espanhola insinua-se em Portugal e Nicolau tem a oportunidade de voltar a exercer medicina - e de se redimir...

Como podem imaginar, a leitura de "O Ano da Dançarina" consegue ser emotiva. Através das suas páginas acompanhamos as vivências da família, que se entrelaçam com a História em certos momentos. Além disso, temos a oportunidade de captar o ambiente lisboeta da época, tolhida pelo medo da epidemia, frente à qual pouco ou nada se pode fazer, e também de perceber a mente de um combatente na "Guerra das Trincheiras". O medo de Nicolau, aquele omnipresente receio de ouvir as metralhadoras e de se ver de novo em França, transforma-se em pesadelos e ataques de pânico, de uma forma bem credível para o leitor...
Nicolau foi, na verdade, um protagonista que me chamou imenso a atenção. É um homem envolto em trevas, que a certo ponto se deixa tragar por elas, e achei fantástico ler sobre uma espécie de "anti-herói". Porque Nicolau não é perfeito, e tem noção disso mesmo. Comete erros, perde o orgulho, e sente-se, acima de tudo, inútil, seja para confrontar a "inimiga invisível" que assola Lisboa e  o mundo, ou para se enfrentar a si mesmo. E cada vez me sinto mais atraída por personagens "imperfeitas", exactamente por serem tão "humanas".
Foi bom perceber que, para além dele, a autora conseguiu povoar o livro com personagens assim, que tal como qualquer pessoa, sonham e odeiam,  cometem deslizes, perdem as estribeiras e chegam a pôr em causa a própria fé quando a dor as atinge.  
E são personagens, ainda por cima, portuguesas! Foi uma delícia ler em certos pontos os diálogos com aquele tom coloquial que é tão nosso, bem como perceber o uso de expressões da época. Conseguiu envolver-me naquele ambiente, e adoro quando isso acontece. Isso, e ficar agarrada à ultima página da história, com pena de estar a ler a palavra "Fim", de lagriminha ao canto do olho, porque os Lopes Moreira são gente de valor, que desde o início não teme colocar-se em perigo - com um toque aventureiro - pelos que amam, e queria continuar a torcer por eles. 

Acho que já podem perceber que gostei muito de "O Ano da Dançarina". É um romance com alma, onde é até possível aprender um pouco mais sobre a nossa História, e, ainda para mais escrito com um estilo cuidado que nos impele a a continuar a ler. Vou querer acompanhar a o restante trabalho da autora, sem dúvida.

E vocês, já leram "O Ano da Dançarina"? Qual é a vossa opinião?
Boas leituras!

Sinopse

Nota: O meu exemplar foi uma agradável oferta, como vos tinha mostrado aqui, a que tenho de agradecer à Carla M. Soares. Obrigada!