segunda-feira, 19 de junho de 2017

"Um Comércio Respeitável", Philippa Gregory

Neste romance, Philippa Gregory transporta o leitor para a Bristol de 1787, para o seio da família Cole. Josiah é um homem de negócios dedicado ao comércio marítimo, que ambiciona ascender na carreira. Tem a ajuda da irmã, Sarah, que controla os livros da empresa, mas precisa de uma esposa com o nome de família certo para tomar o seu lugar na elite da cidade. Frances, sobrinha de Lord Scott, é órfã e uma "solteirona" de 35 anos, pelo que teme sobreviver da caridade ou ter de aceitar empregos ao serviço da sua própria classe. Aceita então o pedido de casamento de Josiah Cole, que vê essa negociação como o estímulo que falta para a sua realização. Ainda para mais, quando Frances está disposta a educar os escravos do novo "carregamento", entre eles Mehuru. Este era um sacerdote da Federação Ioruba, um homem de estatuto junto do próprio povo que se vê despido de qualquer dignidade ao ser raptado e vendido como gado.
É assim deslindada a luta dos irmãos Cole, com ideias diferentes sobre o negócio de família, enquanto Frances e Mehuru mostram a tomada de consciência da brutalidade do negócio da escravatura.

"Um Comércio Respeitável" é daqueles livros que damos por nós a recomendar pelo simples facto de ser tão informativo sobre o ambiente comercial inglês da época e o próprio negócio da escravatura. Ainda para mais, representa esta problemática do ponto de vista africano e dá que pensar, claro. Estamos a falar de milhões de seres humanos raptados a troco de armas e bugigangas e tratados que nem mais do que parte da carga de um navio comercial. Enquanto isso, estalava o caos em África, onde se dava até o caso das próprias gentes abandonarem as suas práticas para se dedicarem ao tráfico humano...
É um livro com uma temática pesada - as cenas sobre o rapto de Mehuru, a perda da dignidade e a vida a bordo do navio negreiro são um murro no estômago - mas estranhei um pouco a forma como foi abordada pela autora. No fundo, mostrou a revolta de Mehuru envolvida por uma história romântica, mas esperava algo mais das personagens. Senti ligação com Frances, uma mulher que acaba por descobrir que o casamento que que a salvaria de uma vida decrépita, afinal lhe revela o lado brutal da fonte de rendimento da família - e  faz dela pouco mais do que propriedade do marido, tal como uma escrava. Já Sarah é fria e arrogante, mas honesta, e não aceita a mudança para um estilo de vida ostensivo que o casamento do irmão requer, e o próprio Josiah revela-se ingénuo em determinadas situações, mas as restantes não me agitaram como esperava.
Senti que existiu mais "tell" do que "show", e o próprio romance entre Frances e Mehuru, apesar de terno e desesperado, pareceu-me um tanto irreal, o que me pode ter mantido à tona do enredo e dos sentimentos que o tema pressupõe. Acho que por apreciar Philippa Gregory pedia mais.
Apesar disso é um livro  interessante e bem informativo, o ideal para quem tiver curiosidade sobre a temática daquele comércio que foi tudo menos respeitável e que nunca é demais lembrar.

Sinopse
E vocês, já o leram? Qual é a vossa opinião?
Boas leituras!
 

2 comentários:

  1. Olá Su,
    Gosto muito dos livros da Philippa Gregory principalmente os do Tudor!
    Ainda não tive oportunidade de ler este livro mas deixaste-me curiosa.
    Beijinhos e boas leituras

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    Respostas
    1. Olá, Tita,
      Eu também tenho um fraquinho pela autora ;D espero que gostes!
      beijnhos e boas leituras

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