Os famosos "contos infantis" de origem europeia serão assim tão "infantis" quanto isso? Já repararam como são sombrios, mas, ao mesmo tempo, conseguem ser uma lição de moral para uma criança?
No Delícias à Lareira é este o mote para mais uma "Assembleia de Bruxas", a nova rubrica do blog.
Cliquem aqui e juntem-se à discussão!
domingo, 9 de junho de 2013
sexta-feira, 10 de maio de 2013
"O Nó do Amor", Elizabeth Chadwick
Antes
de começar a ler "O Nó do Amor" dei por mim a ler as boas críticas
"goodridianas" e da blogosfera e cheguei à conclusão que muitos o apontavam
como o romance mais fraco de Elizabeth. Comparando com "O Leão
Escarlate" concordo, porque a História não é o ponto central, mas sim um
contexto onde as vidas de Catrin e Oliver estão inseridas, neste caso a época
da guerra civil que opôs Estêvão a Matilde, um período conturbado que vergou o
povo (como qualquer conflito). No entanto, é bastante cativante. Duas pessoas
que sofreram no passado com a perda dos seus cônjuges apaixonam-se – quem sabe,
com a ajuda de “meias escarlates” -, mas o destino não parece muito de feição
para que fiquem juntos. Não Só Oliver Pascal é um cavaleiro importante para a
facção de Matilde, em constante perigo, como o marido-supostamente-morto de
Catrin aparece, vivo e de boa saúde. E é aqui que as coisas aquecem. É
engraçado ver a protagonista feminina a ser tentada por outro homem, e não o
contrário, como é habitual.
Foi
um livro de que gostei, que me fez sofrer com as personagens, apesar de, por
vezes, pensar que tinham a sua sorte bastante facilitada (é o que dá
ficar-se nas boas graças do Rei). Há um certo realismo nas personalidades das
personagens, que as assemelha a pessoas de carne e osso, com qualidades,
defeitos, medos e esperanças.
Tive
pena que Richard, o filho ilegítimo do velho rei Henrique de quem Catrin era
aia, que sofreu tanto no início da história e parecia uma personagem de tão
grande importância, deixasse de ter uma presença marcante ao longo da acção. E
também tive pena que Chadwick não impusesse mais suspense na primeira parte do
livro em relação ao responsável do ataque a Penfoss, ou ao assassino de uma das
damas da condessa Mabile. Foi previsível. Já agora, uma morte de um dos vilões
digna de uma telenovela não ficaria mal aqui. Mas pronto.
“O
Nó do Amor”, à semelhança de “O Leão Escarlate”, foca o lado feminino da época,
dando uma relevância maior ao papel da mulher durante a Idade Média. Neste
caso, ficamos a par do dia-a-dia de uma parteira, uma figura que merecia uma
dose de suspeição, ao correr o risco de ser apontada como bruxa, mas também de
respeito, versada em “assuntos femininos”. Um ponto muito interessante, quando
no século XXI o parto continua a ser uma ocasião assustadora, mesmo com assistência médica.
Apesar
de não ter providenciado uma leitura viciante, e de me ter arrancado uns
bocejos na primeira parte – e alguns revirares de olhos com conversas de alcova
– providenciou bons momentos de leitura. Acho que não há nada mais desagradável
que sentirmo-nos indiferentes pelo destino dos protagonistas.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Hábitos de Leitura
A minha cara Spinelli do "Delícias à Lareira" (deitem o olho, que vale muito a pena) desafiou-me a responder ao questionário do blog Tertúlias à Lareira sobre os nosso hábitos de leitura. Ora aqui vai:
1. Gostas de comer/petiscar enquanto lês? Se sim, qual o teu petisco favorito?
Nem por isso, mas de vez em quando um quadradinho de chocolate calha bem.
2. Qual é a tua bebida favorita para acompanhar uma leitura?
Chá! Seja branco, verde, de camomila, de verbena, ou uma qualquer "edição" marroquina da Lipton, para acompanhar a leitura o chá é uma delícia, quentinho no Inverno, bem fresco no Verão.
3. Costumas sublinhar uma ou outra passagem enquanto lês um livro ou achas que escrever nos livros é uma ideia abominável?
Completamente abominável! Se por acaso leio uma passagem que queira recorda prefiro anotar num bloco.
4. Como marcas os livros quando interrompes a leitura? Tens um marcador especial ou usas o que tiveres à mão (ex. bilhete de autocarro, um papel dobrado, etc)? Ou dobras o canto da folha do livro?
Gosto de os marcar com os marcadores oferecidos pelas editoras. Colecciono marcadores, mas gosto muito deles e fico sem coragem para os usar (e se os perco? e se o cão o rouba?). Dobrar o canto da folha é agressão...
5. Qual o teu género de eleição: ficção, não-ficção ou ambos?
Prefiro ficção e, aliás, é raríssimo ler não-ficção. Tem mesmo de ser algo que me desperte a atenção, como foi o caso do "Caderno Afegão", da Alexandra Lucas Coelho
6. Gostas de ler até ao fim do capítulo ou interrompes a leitura em qualquer sítio?
Costumo interromper em qualquer sítio, apesar de preferir ler até ao final do capítulo.
7. És do tipo de pessoa que atira o livro de um lado ao outro da sala caso o autor te irrite?
Quem é que atira livros ao outro lado da sala!? Que pecado!!! Não, mesmo que me irrite, mesmo que tenha vontade de o deitar ao lixo, não o trato mal.
8. Se encontras uma palavra que desconheces vais logo procurar o seu significado?
Se não conseguir mesmo perceber do que se trata tem de ser.
9. O que estás a ler presentemente?
Por agora estou a ler "O Nó do Amor", de Elizabeth Chadwick, um romance medieval.
10. Qual foi o último livro que compraste para oferecer?
É possível que o ultimo que tenha comprado seja "Os Pecados de Lorde Estearbrook", de Madeline Hunter, para oferecer à minha mãe (a grande senhora que me viciou neste mundo) no Dia da Mãe. "Infelizmente" não gostou - e eu duvido que lhe pegue.
11. És do tipo de pessoa que só lê um livro de cada vez ou lês vários livros ao mesmo tempo?
Só leio um de casa vez, porque não há nada como entrar a fundo numa história. Já tentei ler dois ao mesmo tempo, mas não resultou. Acabava por dar prioridade a um.
12. Tens um sítio favorito onde ler? E qual a melhor altura do dia?
Quando o tempo aquece gosto de ficar no alpendre, ao fim da tarde, mas o meu "spot" de preferência é um dos cadeirões da sala, onde costumo ler à noite. Se o livro for mesmo viciante leio em qualquer altura do dia, em qualquer zona da casa.
13. Preferes séries ou histórias únicas?
Prefiro histórias únicas, apesar de haver trilogias - e tetralogias - muito do meu agrado, já que mostram diversas perspectivas ou episódios noutro intervalo de tempo que complementam a história. Normalmente não consigo acabar uma série, seja pelo dispendioso que se possa tornar, seja porque perco o interesse no futuro das personagens.
14. Tens algum livro ou autor específico que dês por ti a recomendar vezes sem conta?
Há uns anos atrás recomendava Gabriel García Marquez muitas vezes. Hoje em dia falo logo de Haruki Murakami - Carlos Ruiz Záfon é maravilhoso, mas parto sempre do principio que todos os amantes de livros já o leram e esqueço-me de o recomendar.
15. Como organizas a tua biblioteca? Por género, por título, pelo nome do autor ou pela editora?
Organizo-a por autor, mas há colecções que prefiro manter juntas.
Feito! Quem aceita o desafio?
sábado, 20 de abril de 2013
"A Dança das Borboletas", Poppy Adams
Este foi um livro que mereceu 3
estrelas "goodreadianas" porque, apesar de até ter gostado da
história e do estilo da escritora, não encheu as medidas. Mas tenho pena.
"A Dança das Borboletas" é narrado por Ginny, uma antiga lepidóptera, que recebe a visita da irmã, Vivien, ao fim de 47 anos. Entre o presente e o passado, Ginny conta espisódios acerca da infância e do início da idade adulta das duas irmãs e expõe o seu reencontro. Ao fim de uns bons capítulos, conhecemos realmente a família Stone, que não é tão funcional quanto aparenta... Até que ponto o amor é uma boa desculpa para as acções deles? Até que ponto as memórias de Ginny são as correctas? A protagonista é uma velhota um tanto especial, obcecada pelas horas e pelo comportamento das suas amadas traças, mas apesar da sua inteligência, tem dificuldade em compreender os comportamentos humanos (o que leva o leitor a diagnosticar algo) e prefere isolar-se na sua mansão.
Ao longo do livro a quantidade de pormenores acerca do estudo das traças revela o gosto da protagonista pela profissão, mas pode tornar-se entendiante. De qualquer forma, não foi o que me demoveu. Há um certo "suspense" que envolve os segredos dos Stone e o regresso de Vivien que me impeliu a ler o livro, mas não me entusiasmou como esperava. Achei, até, que o final foi um "anti-clímax".
Ao longo do livro a quantidade de pormenores acerca do estudo das traças revela o gosto da protagonista pela profissão, mas pode tornar-se entendiante. De qualquer forma, não foi o que me demoveu. Há um certo "suspense" que envolve os segredos dos Stone e o regresso de Vivien que me impeliu a ler o livro, mas não me entusiasmou como esperava. Achei, até, que o final foi um "anti-clímax".
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| Sinopse |
sexta-feira, 5 de abril de 2013
"Celestial", Cynthia Hand
Esta Primavera promete. "Celestial" surpreendeu-me pela positiva. Precisava de um leitura mais levezita depois da leitura anterior, mas este romance mostrou-se uma leitura bem emotiva. "Comovente"? Sim, é.
Há elementos típicos de um livro de adolescentes, o que me fez ter pena de não ter 15 anos outra vez para achar o livro "o máximo" - o rapaz giraço; a miuda nova misteriosa; a má do sítio, um Baile de Finalistas - e dispensava um desmaio e tanto brilho, que me lembraram um certo e determinado "infame" romance fantástico Cujo Título Não Pronunciarei.
No entanto, perdoa-se. Achei o triângulo amoroso plausível, já que as personagens se aproximam a pouco e pouco, e a tensão entre eles é bem descrita. A própria protagonista, Clara, é apresentada como uma rapariga que pretende ser normal, nem demasiado perfeita, nem desastrada ao ponto de chocar com as cadeiras e, perto do final, as suas dúvidas tornam-se comoventes.
É viciante - nem havia "palha" a empatar! - e gostei do estilo de escrita. Foi um daqueles casos em que tinha pena de o fechar para ir dormir. Estou curiosa em relação aos proximos livros da trilogia.
Há elementos típicos de um livro de adolescentes, o que me fez ter pena de não ter 15 anos outra vez para achar o livro "o máximo" - o rapaz giraço; a miuda nova misteriosa; a má do sítio, um Baile de Finalistas - e dispensava um desmaio e tanto brilho, que me lembraram um certo e determinado "infame" romance fantástico Cujo Título Não Pronunciarei.
No entanto, perdoa-se. Achei o triângulo amoroso plausível, já que as personagens se aproximam a pouco e pouco, e a tensão entre eles é bem descrita. A própria protagonista, Clara, é apresentada como uma rapariga que pretende ser normal, nem demasiado perfeita, nem desastrada ao ponto de chocar com as cadeiras e, perto do final, as suas dúvidas tornam-se comoventes.
É viciante - nem havia "palha" a empatar! - e gostei do estilo de escrita. Foi um daqueles casos em que tinha pena de o fechar para ir dormir. Estou curiosa em relação aos proximos livros da trilogia.
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| Sinopse
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P.S.: Quem quiser dar uma vista de olhos no site de Cynthia Hand - e espreitar a sinopse do segundo livro - clique aqui.
terça-feira, 2 de abril de 2013
"O Nome da Rosa", Umberto Eco
O melhor adjectivo para descrever este livro será "monumental". E não estava à espera de o considerar assim. Confesso: tinha medo de o ler. Um romance histórico-policial escrito por um filósofo? Brrr
No entanto lê-se bem, apesar de ser necessária uma dose de paciência para certas passagens. E muita atenção para acompanhar as explicações acerca das seitas heréticas e as diferenças entre ordens da Igreja.
O enredo é cativante. Mortes misteriosas na abadia; comportamentos pouco ortodoxos da parte dos monges; a tensão no ar que se sente com a chegada das delegações que debatem a pregação dos Franciscanos (que defendiam o voto de pobreza da Igreja, o que não seria propriamente do agrado da própria); e uma biblioteca labiríntica dão o mote para uma aventura que Adso conta já com uma idade avançada. Durante setes dias, sete mortes ocorrem, com pormenores que recordam os sinais do Apocalipse. Quem será o assassino? Os monges que povoam a Abadia são curiosos e, por vezes, parecem ambíguos. Pelo meio, há temas como a homossexualidade, a luxúria - para além da sexual - e o riso (sim, o riso) que dão que falar.
Gostei dos protagonistas. Guilherme de Baskerville, ex-inquisidor, tem uma mente dedutiva brilhante (e um gosto por mascar um certo tipo de erva), e Adso mostra a curiosidade e a ansiedade típicas de um adolescente, algo que o vai marcar.
"O Nome da Rosa" é também, à sua maneira, um livro sobre livros. Livros escondidos que não são acessíveis a qualquer um, porque, o "conhecimento" não era para qualquer um, e havia tomos bem "perigosos". Era limitado por aqueles que o detinham (deixou-me a pensar no quão sortudos hoje somos neste país).
Foi, portanto, uma leitura muito interessante e proveitosa. Recomendo.
P.S.: Peca pela falta de tradução de frases das personagens em latim. É mesmo pena.
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| Sinopse |
quinta-feira, 7 de março de 2013
"O Prisioneiro do Céu", Carlos Ruiz Zafón
Foi com alguma estranheza que comecei a ler as primeiras linhas do "O Prisioneiro do Céu". Um Daniel acomodado na vida e sem a curiosidade aguçada e um Férmin aterrorizado não seriam o usual. Mas foi com uma dose de adrenalina que o terminei!
Sem querer debitar "spoilers", digo apenas que, mais um vez, é um livro que fica na memória.
Ata pontas soltas e desvenda antigas "amizades" em que não teria pensado antes; há um mudança de atitude do bom Daniel que é quase assustadora (Cof Cof) e é um regresso esperado àquela Barcelona misteriosa e ao tão afamado Cemitério dos Livros.
Só peca num pormenor: o número de páginas. Queria mais pormenores e mais páginas - que final abrupto! Deixou-me de ressaca...
P.S.: Consta que há mais um volume prestes a vir à luz do dia. Cá o aguardo.
Sinopse:
Barcelona, 1957. Daniel Sempere e o amigo Fermín, os heróis de A Sombra do
Vento, regressam à aventura, para enfrentar o maior desafio das suas vidas.
Quando tudo lhes começava a sorrir, uma inquietante personagem visita a livraria
de Sempere e ameaça revelar um terrível segredo, enterrado há duas décadas na
obscura memória da cidade. Ao conhecer a verdade, Daniel vai concluir que o seu
destino o arrasta inexoravelmente a confrontar-se com a maior das sombras: a que
está a crescer dentro de si.
Transbordante de intriga e de emoção, O Prisioneiro do Céu é um romance magistral, que o vai emocionar como da primeira vez, onde os fios de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo convergem através do feitiço da literatura e nos conduzem ao enigma que se esconde no coração de o Cemitério dos Livros Esquecidos.
Transbordante de intriga e de emoção, O Prisioneiro do Céu é um romance magistral, que o vai emocionar como da primeira vez, onde os fios de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo convergem através do feitiço da literatura e nos conduzem ao enigma que se esconde no coração de o Cemitério dos Livros Esquecidos.
Edição/reimpressão:
Páginas: 400
Editor: Editorial Planeta
ISBN: 9789896573003
sexta-feira, 1 de março de 2013
"Bons Augúrios", Neil Gaiman e Terry Pratchett
Mas que boas gargalhadas dei com este livro! O Apocalipse não é o meu tema preferido, mas ainda bem que acabei por aceitar lê-lo. Tenho que agradecer o empréstimo.
Em "Bons Augúrios" um demónio, Crowley, que não é assim tão mau - apenas andava com más companhias - e o seu amigo Aziráfalo, um anjo não tão bonzinho quanto isso, decidem sabotar o Armagedão, até porque gostam bastante de viver no mundo. Ora, logo por acaso, um freira satânica se tinha enganado e entregue o bebé anti-cristo à família errada. Seria o destino, afinal?
Nos ultimos dias do mundo, Adão (o filho do Lá-de-Baixo) e o seu grupo de amiguinhos (com quem forma os quatro filosóficos Eles) brincam "inocentemente" enquanto os quatro "Cavaleiros" do Apocalipse - e dois caçadores de bruxas ditos profissionais, além da descendente da profetiza que acertava em tudo - se preparam para a batalha final.
As situações descritas chegam a ser hilariantes, bem como as próprias personagens, caracterizadas de forma muito vincada. Foi um daqueles casos em que tive gosto em ler, não só pelo enredo - por muito que me preocupasse o destino de Crowley -, mas sim para saber qual o insólito que se seguia - se é que me faço entender.
Gostei muito. É divertido, satírico, e até me deixou a pensar na natureza do Bem e do Mal.
De Neil Gaiman já tinha lido "Neverwhere", que tinha personagens e situações - como telefones sem aparente funcionamento que afinal funcionam- também tão loucas que ficaram na memória até hoje, e agora posso dizer/escrever que me estou a tornar fã deste senhor.
Boa viagem!
Sinopse:
Páginas: 380
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722332804
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