domingo, 13 de janeiro de 2013

"O Aroma das Especiarias", Joanne Harris

Acabar de ler "O Aroma das Especiarias" não me deixou com aquele descanso que costumo sentir ao terminar uma trilogia, bem pelo contrário! Conseguiu deixar-me ansiosa e com mais perguntas. "Acabou mesmo? Não, não pode... A sério, Joanne?"
Não o considerei uma conclusão da série "Chocolate", - se é que algum dia poderá existir uma "conclusão"  com personagens tão promissoras - mas sim mais uma viagem até àquele mundo superstiscioso, onde os amigos imaginários pulam à nossa frente e o vento comanda a vida.
Vianne Rocher e as filhas regressam a Lansquenet ao receberem uma carta misteriosa e encontram mudanças, não só nas próprias pessoas, como na aldeia: há uma comunidade islâmica do outro lado do rio, uma comunidade que apesar das diferenças é um espelho - um outro Reynaud, uma outra Armande, uma Mulher de Preto...
Em relação aos outros livros da série este é mais cru, exactamente por pegar muito na realidade. As diferenças óbvias entre as culturas são um tema da França dos dias de hoje e o ódio que por vezes emerge em tais casos é tratado ao longo da história. A violência sobre as mulheres, de que Joséphine já tinha sido alvo, volta a ser falada. O perigo, a violência, são reais.
De qualquer forma, elementos como a magia da comida e as palavras que apelam aos sentidos, tão próprias de Joanne Harris, continuam neste "O Aroma das Especiarias", não provocando nenhuma desilusão. Mas quero mais!

Boa viagem!

 

Sinopse:
 
Vianne Rocher recebe uma estranha carta. A mão do destino parece estar a empurrá-la de volta a Lansquenet-sur-Tannes, a aldeia de Chocolate, onde decidira nunca mais voltar. Passaram já 8 anos mas as memórias da sua mágica chocolataria La Céleste Praline são ainda intensas.

A viver tranquilamente em Paris com o seu grande amor, Roux, e as duas filhas, Vianne quebra a promessa que fizera a si própria e decide visitar a aldeia no Sul de França. À primeira vista, tudo parece igual. As ruas de calçada, as pequenas lojas e casinhas pitorescas… Mas Vianne pressente que algo se agita por detrás daquela aparente serenidade. O ar está impregnado dos aromas exóticos das especiarias e do chá de menta.

Mulheres vestidas de negro passam fugazes nas vielas. Os ventos do Ramadão trouxeram consigo uma comunidade muçulmana e, com ela, a tão temida mudança. Mas é com a chegada de uma misteriosa mulher, velada e acompanhada pela filha, que as tensões no seio da pequena comunidade aumentam. E Vianne percebe que a sua estadia não vai ser tão curta quanto pensava. A sua magia é mais necessária do que nunca!
 
Edição/reimpressão:
Páginas: 496
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892320106 




quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

"O Leão Escarlate", Elizabeth Chadwick

Há neste mundo um tipo de livro que é tão bom que me deixa sem palavras. Não que este tenha sido uma paixão à primeira vista. Quantas vezes o tentei ler? Umas duas. À terceira foi de vez.
Isabel e Wiliiam Marshal, baseados em personagens da História de Inglaterra, pareciam-me demasiado nobres, o típico casal modelo com a família perfeita, mas ao longo do livro mudei de ideias. São apresentados como humanos, com as suas dúvidas, os seus defeitos. William, dividido entre o dever à família e o dever ao Rei João, e Isabel em permenente sobressalto e encarregue de gerir propriedades sempre que o marido parte em campanha. As personagens chamaram-me a atenção, mas o estilo de escrita da autora é que me deixou fã. É quase cinematográfico. Pormenores históricos, ficção e descrições de ambientes entrelaçam-se e, por momentos, senti-me "dentro" do livro.
Recomendo e muito para os amantes de bons romances históricos.

Boa viagem!
 

Sinopse:

A coragem e lealdade de William Marshal como cavaleiro ao serviço da casa real inglesa foram recompensadas com a sua união a Isabelle de Clare, uma rica herdeira de propriedades na Inglaterra, Normandia e Irlanda.
Mas a segurança e felicidade do casal são destruídas quando o rei Ricardo morre e é sucedido pelo irmão João, que toma os filhos de Marshal como reféns e apropria-se das suas terras. O conflito entre os que permanecem leais e os que se irão revoltar contra as injustiças ameaça destruir o casamento de William e Isabelle e arruinar as suas vidas. William terá que optar por um caminho desesperado que o poderá levar à governação do reino. E Isabelle, receando pelo homem que é a luz da sua vida, terá que se preparar para enfrentar o que o futuro lhes reserva.


Edição/reimpressão: 2
Páginas: 448
Editor:Edições Chá das Cinco
ISBN:9789898032478
 
 


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

"A Árvores dos Segredos", Sarah Addison Allen

Que desilusão... Teria expectativas demasiado elevadas para este livro? Talvez. O que é certo é que me desiludiu (menina Allen, que raio lhe aconteceu?).
Lê-se bem, a história até é interessante, o início é fantástico, mas é um livro "forçado". A relação entre os protagonistas é forçada. Willa e Colin encontram-se por acaso e "puff", ela sente-se desconfortável. Diálogos e interacção mostram-se forçados - já entre Paxton e Sebastian parece mais natural.
A história obscura por detrás - ou por baixo - do pessegueiro da mansão é apelativa, mas podia ter sido mais desenvolvida. Era a parte forte do livro, que lhe prestava a magia a que a autora me habituou. No fundo, este foi um livro sobre 4 pessoas que confrontam a pessoa que foram no secundário e a pessoa que realmente são - dejà vu.
As próprias personagens secundárias, que costumam dar um brilhozito aos outros títulos de Sarah Addison Allen não eram tão brilhantes quanto isso. E voltamos a ver/ler uma mãe dominadora - começa a tornar-se repetitiva.
Em suma, as expectativas para este "A Árvore dos Segredos" foram elevadas, mas  até pode ser uma boa leitura de verão, simples e com um misteriozito.
 
P.S.: Temos um vislumbre de Claire, a cozinheira mágica do "Jardim Encantado", e da sobrinha Bay!
 
Boa viagem!
 
 
 
Sinopse:

Sarah Addison Allen dá-nos as boas-vindas a uma nova povoação: Walls of Water, na Carolina do Norte, onde os segredos são mais espessos do que o nevoeiro das famosas quedas-dágua da cidade, e as superstições são, de facto, reais.
Willa Jackson vem de uma antiga família que ficou arruinada gerações antes. A mansão Blue Ridge Madam, construída pelo bisavô de Willa durante a época áurea de Walls of Water, e outrora a mais grandiosa casa da cidade, foi durante anos um monumento solitário à infelicidade e ao escândalo. Mas Willa soube há pouco que uma antiga colega de escola a elegante Paxton Osgood - da abastada família Osgood, restaurou a Blue Ridge Madam e a devolveu à sua antiga glória, tencionando transformá-la numa elegante pousada. Talvez, por fim, o passado possa ser deixado para trás enquanto algo novo e maravilhoso se ergue das suas cinzas. Mas o que se ergue, afinal, é um esqueleto, encontrado sob o solitário pessegueiro da propriedade, que com certeza irá fazer surgir coisas terríveis.
Pois os ossos, pertencentes ao carismático vendedor ambulante Tucker Devlin, que exerceu os seus encantos sombrios em Walls of Water setenta e cinco anos antes, não são tudo o que está escondido longe da vista e do coração. Surgem igualmente segredos há muito guardados, aparentemente anunciados por uma súbita onda de estranhos acontecimentos em toda a cidade.
 
Edição/reimpressão:
Páginas:280
Editor:Quinta Essência
ISBN:9789898228567

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

"1Q84 - Volume 3", Haruki Murakami

 
Foi com alívio que li a última linha desta trilogia. Isto por duas razões. Não só estava desejosa de ler o desenlace, como estava desejosa de acabar de ler o terceiro volume. É um pouco aborrecido. E repetitivo.
Para além de páginas e páginas com informação que já conhecemos, temos a inclusão do ponto de vista de Ushikawa, o investigador de aspecto peculiar - ou "Cabeça-de-Abóbora" - que nos dá... páginas e páginas de informação já conhecida. Dei por mim a perguntar: mas porque raio precisamos do olhar desta personagem? Ok, perto do final percebe-se porque está lá. Acaba por prestar um papel muito importante. E acabei por ter pena dele.
Aliás, nos capítulos finais, perdoei Murakami. Perdoei-o pelo tempo de ansiedade - Tengo e Aomame tão perto e tão longe - e de bocejos passado, tal como a a portagonista parece perdoar a sua religião, mesmo tornada numa espécie de "Virgem Maria" (Ups! deveria escrever isto?). Foi uma boa história, com uma atmosfera muito própria. Gostei. Acho que vou ter saudades de "1Q84" num futuro próximo...

Boa viagem!

 
Sinopse:
 
O Livro 3 revela o estilo forte e truculento de uma personagem única, Ushikawa de seu nome. A par de Tengo e Aomame, a voz da Ushikawa ecoa nas páginas do terceiro volume de 1Q84 e provoca as reações mais intensas. Amem-no ou detestem-no, mas deixem-no entregue à sua sorte. Tengo e Aomame continuam sem saber, mas aquele é o único lugar perfeito no mundo. Um lugar perfeitamente isolado e, ao mesmo tempo, o único que escapa às malhas da solidão.

Este mundo também deverá ter as suas ameaças, os seus perigos, claro, e estar cheio dos seus próprios enigmas e de contradições. Mas não faz mal. A páginas tantas, é preciso acreditar. Sob as duas luas de 1Q84, Aomame e Tengo deixam de estar sozinhos... Inspirado em parte no romance 1984, de George Orwell, 1Q84 é uma surpreendente obra de ficção, escrita de forma poderosa e imaginativa - a um tempo um thriller e uma tocante história de amor.

Murakami continua a provocar o espanto e a emoção, comunicando com milhões de pessoas de todas as idades, espalhadas pelo mundo inteiro. Ao pousar este livro, quantos leitores não se sentirão desafiados a ver o mundo com outros olhos?

 
Edição/reimpressão:
Páginas:520
Editor:Casa das Letras
ISBN:9789724621081



"A Estranha Viagem do Senhor Daldry", Marc Levy

Esta foi uma leitura viciante, ou não fosse acompanhada por um toque de mistério ao longo dos capítulos. Neste livro acompanhamos a viagem de Alice e do sr. Daldry a Instambul, e não só...
Alice é uma rapariga com um dom: é um "nariz". Para esta personagem londrina, o sentido mais importante é o olfacto e mantém a sua rotina entre a criação e o estudo dos seus perfumes, e as saídas com o grupo de amigos. Até ao dia em que uma vidente prediz que necessita de viajar até à Turquia para encontrar o homem que mais contará na sua vida...
E foi neste ponto do livro que me surgiram algumas perguntas. Será que devia dar ouvidos a uma mulher que nunca viu na vida? Não será isto demasiado lamechas? Aliás: será que Alice sabe quem é, na realidade?
O sr. Daldry, o vizinho solitário que pinta quadros com cruzamentos, financia a viagem e acompanha-a, dando azo a algumas gargalhadas. É talvez a personagem mais marcante. É excêntrico, com atitudes inesperadas que só mais tarde compreendemos (e deixo a nota para as cenas em que interage com Can, o "melhor guia de Instambul").
Foi um livro de que me agarrou e recomendo-o. A história é original e a acção desenrola-se sem tempos mortos. Fiquei com vontade de conhecer melhor a obra de Marc Levy.
 
Boa viagem!
 
 
 
Sinopse:
 
«Há duas vidas em ti, Alice. A vida que tu conheces e uma outra que te espera há muito tempo. Estas duas existências não têm nada em comum. O homem de que te falei ontem encontra-se em algum lugar dessa outra vida, e nunca estará presente na vida que levas atualmente. Terás de encontrar seis pessoas antes de chegar até ele. Partir ao encontro dele obrigar-te-á a fazer uma longa viagem. Viagem durante a qual descobrirás que nada daquilo em que acreditavas é verdadeiro.»

Londres, 1950
Alice leva uma existência tranquila entre o seu trabalho como criadora de perfumes, que a apaixona, e o seu grupo de amigos, todos eles artistas nas horas vagas. No entanto, na véspera de Natal, a sua vida vai sofrer um abanão. Durante um passeio a uma feira em Brighton, uma vidente prediz que irá viver uma aventura, em busca de um passado misterioso. Alice não acredita nela, mas também não consegue esquecer as suas palavras; subitamente as suas noites passam a ser povoadas de pesadelos, que lhe parecem tão reais como incompreensíveis.
O seu vizinho, o senhor Daldry, um gentleman excêntrico e celibatário empedernido, convence-a a levar a sério a predição da vidente e a encontrar as seis pessoas que a conduzirão ao seu destino.
De Londres a Istambul, Alice e o senhor Daldry partem na sua estranha viagem
 
Edição/reimpressão:
Páginas:240
Editor:Contraponto
ISBN:9789896661243
 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

"A Condessa", Rebecca Johns

Bem, este foi um dos casos em que as minhas expectativas foram excedidas. "Romace macabro"? "Mulher mais odiada da História"? Apesar do empréstimo do livro ter sido feito com um sorriso e de algumas críticas boas, não estava à espera de que fosse... viciante.
No livro, a condessa Erzébet Báthory escreve uma longa carta ao filho para contar a sua vida e as privações que sofre na torre onde foi presa (isto é, emparedada).
É retratada como uma mulher culta e inteligente que controlava as propriedades com punho de ferro. Desprezava a ignorância e a insolência, pelo que não admitia desvios morais às sua criadas. Infelizmente, os castigos que impõe às aias são excessivos e os súbitos "desaparecimentos" das raparigas levam às sua condenação. 
Ao longo da história acabei por sentir pena desta mulher, mesmo sendo conhecida nos nossos dias como a "Condessa de Sangue". É uma personagem cruel, egoísta e vaidosa, mas acaba por sofrer as consequências de cada um dos seus actos. Se o relato feito naquelas páginas é, ou não, o mais aproximado da realidade, já não posso avaliar, mas é um livro interessante. Não é mórbido, por mais cenas chocantes que possa ter e acaba por ter o seu quê de "conto de fadas" adulterado - não dizem que foi esta a condessa que originou a Rainha Má do conto da Branca de Neve?
 



Sinopse:

A bela condessa Erzsébet Báthory nasceu num berço de ouro da aristocracia húngara. Nada faria prever que acabaria os seus dias encarcerada na torre do seu próprio castelo. O seu crime: os macabros assassínios de dezenas de criadas, na sua maioria jovens raparigas torturadas até à morte por desagradarem à sua impiedosa senhora.
Pouco antes de ser isolada para sempre, Erzsébet conta a apaixonante história da sua vida. Ela foi capaz dos mais cruéis actos de tortura mas também do mais apaixonado e intenso amor. Foi mãe, amante, companheira… uma mulher que teve o mundo a seus pés e se transformou num monstro.

Os seus opositores retrataram-na como uma bruxa sanguinária, um retrato que fez dela a mulher mais odiada da História. Erzsébet inspirou Drácula, inscreveu-se na literatura clássica e contemporânea, deu azo a filmes, séries de TV e até jogos de computador. 



Edição/reimpressão:
Páginas:336
Editor:Edições Asa
ISBN:9789892315966

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Feliz Aniversário a mim!

Hoje o meu blog comemora o primeiro aniversário! É um motivo de orgulho para mim. Há um ano atrás entrava nesta viagem para partilhar as minhas leituras e dei por mim a aprender duas coisas:
 
Primeiro: escrever a minha opinião de um livro é mais complicado do que estava à espera. O que dizer de livros que achei geniais? E de quando a leitura não era tão boa quanto isso, mas que me entreteve de tal modo que os autores estavam perdoados? Céus!
 
Segundo: é preciso paciência para ser blogger.
 
Ter o "Voyage" deixou-me mais disciplinada, já que me sentia obrigada a ler um livro do início ao fim - nos primeiros seis meses. Depois disso, interrompi e saltei livros como antigamente e, com o regresso do mau hábito - ou não - dei por mim a pensar desistir disto.  Mas aqui estamos no primeiro aniversário, prontos para aprender mais e encetar novas jornadas.
 
Su

terça-feira, 16 de outubro de 2012

"O Tigre Branco", Aravind Adiga


"O Tigre Branco" é uma pérola. O vencedor do "Man Booker Prize" de 2008 trata-se de uma comédia negra que revela o lado sombrio da Índia, as desigualdades socioculturais e ataca costumes e tradições da forma mais cómica possível.
Balram, um rapaz que cresceu sem nome (porque ninguém tinha tempo para lho dar) é um "tigre branco", uma criança diferente na sua aldeia, que se torna um empresário de sucesso. É na carta que redige ao primeiro-ministro da China que relata a sua escalada e a sua revolta, considerando-se um exemplo de empresário. No fundo, o "tigre branco" é uma personagem com um olho clínico para analisar a sociedade que o rodeia, mas com uma moral duvidosa. Quase culpa os pobres pela sua própria pobreza, e, tendo sempre em conta a sua ascensão social, depressa esquece o dever para com a família.
É um livro que revela o fosso entre ricos e pobres do país - que começa a imiscuir-se no Ocidente - onde o próprio sistema de castas foi adulterado; a relação entre criados e patrões; as diferenças "raciais" e religiosas - ou não considerasse os brancos uma raça em declínio e os muçulmanos gente estranha, que gosta de rebentar comboios. É a crítica a uma dita "democracia" aparente e a um sistema judicial que não funciona.
"O Tigre Branco" é irónico e profundo como só a crítica social pode ser, e fez-me rir com coisas para chorar. É bom. Muito bom. 







Sinopse:
O Tigre Branco arrebatou por unanimidade o Man Prémio Booker Prize de 2008, um dos mais prestigiados galardões literários a nível mundial. Ainda antes da sua nomeação para o prémio, O Tigre Branco era já apontado como um dos melhores romances do ano e Aravinda Adiga como uma grande revelação e um extraordinário romancista. A shortlist para o Booker era composta por candidatos muito fortes, muito embora O Tigre Branco tenha conquistado o júri a uma só voz. Romance de estreia, entrou de imediato nas preferências dos críticos, que o classificaram como "uma estreia brilhante e extraordinária". O livro revela uma Índia ainda muito pouco explorada pela ficção, a Índia negra, violenta e exuberante das desigualdades socioculturais. Toda a obra é uma longa carta dirigida ao Primeiro-Ministro chinês, escrita ao longo de sete noites. O autor da carta apresenta-se como o tigre branco do título, e auto-denomina-se um "empreendedor social". Descrevendo a sua notável ascensão de pobre aldeão a empresário e empreendedor social, o autor da carta, Balram, acaba por fazer uma denúncia mordaz das injustiças e peculiaridades da sociedade indiana. Fica assim feito o retrato de uma sociedade brutal, impiedosa, em que as injustiças se perpetuam geração após geração, como uma ladainha que se entoa incessantemente ao ritmo de uma roda de orações. São muito poucos os animais que conseguem abrir um buraco na vedação e escapar ao destino do cárcere eterno. O Tigre Branco é um deles. 



Edição/reimpressão:
Páginas:248
Editor:Editorial Presença
ISBN:9789722341004